Software desenvolvido pela USP funciona como “olheiro” esportivo

Programa permite que treinadores armazenem e compartilhem resultados de testes realizados com atletas

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Francisco Louzada Neto: “O pesquisador Francisco Louzada Neto coordenou o desenvolvimento do iSports” – Foto: Livia Sarno / Arquivo CeMEAI

O Brasil é um país de dimensões continentais e com uma população que possui variadas habilidades e biotipos. Tais características o tornam mundialmente conhecido como um “celeiro” de talentos para as mais diversas modalidades esportivas. Isso é ótimo para o esporte brasileiro, mas cria uma dificuldade para clubes e profissionais: é difícil (e caro) percorrer enormes distâncias para encontrar “aquele” talento para “tal” ou “qual” modalidade.

Uma forma de minimizar tal dificuldade partiu do professor Francisco Louzada Neto, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP. Ele coordenou uma equipe de pesquisadores do Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI) – um dos 17 Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) financiados pela Fapesp –, para criar um software chamado iSports, cujo objetivo é encontrar e desenvolver talentos esportivos.

O programa armazena os resultados de testes físicos e técnicos de atletas (ou potenciais atletas) e cria gráficos, tabelas e outras figuras ilustrativas a partir desses resultados. Profissionais do esporte analisam os dados, interpretando-os conforme o objetivo do estudo e, “a partir daí, o técnico pode ter uma percepção melhor de como o atleta ou a equipe está e o que precisa ser melhorado”, aponta Louzada.

Olheiro virtual

Francisco Louzada Neto – Foto: Livia Sarno / Arquivo CeMEAI

Uma possibilidade que o programa apresenta é a de funcionar como um “olheiro virtual”, pois treinadores e educadores físicos conseguem identificar quais as modalidades esportivas mais indicadas para um indivíduo ou grupo específico, conforme os resultados obtidos. Tal função dá ao treinador uma ferramenta mais científica e menos empírica no momento de selecionar atletas para uma equipe, pois o iSports se baseia em resultados obtidos por meio de modelos estatísticos.

Para utilizar o sistema, basta o técnico, professor, “olheiro” ou clube esportivo se cadastrar no iSports e inserir os dados dos testes de seus atletas. Devido ao cloud computing — termo em inglês o qual chamamos no Brasil de “nuvem da internet” —, uma tecnologia que permite o uso de softwares sem instalação, o iSports permite que os dados fiquem armazenados numa conta, na qual o usuário pode comparar os resultados dos desempenhos de seus atletas e compartilhá-los com outros profissionais e equipes do Brasil ou de outros países.

Imagem de tabela do software iSports, mostrando resultados de testes físicos – Tabela: Arquivo CeMEAI

Scout

Desde 2015, o programa vem passando por aprimoramentos. Segundo informa Louzada, o iSports passará a oferecer o serviço de scout — registro das informações técnicas e das análises de jogos ou provas esportivas. Isso significa que os profissionais poderão armazenar, comparar e compartilhar com outros usuários os dados do desempenho de atletas “em tempo real”. O professor informa que isso possibilitará à comissão técnica de um clube, durante ou logo após uma partida, analisar “como o atleta se comporta no momento do jogo, se ele mantém por muito tempo o toque de bola, se ele acerta os movimentos de ataque e defesa, etc”. O serviço de scout ainda está em fase de testes para implementação. 

Outros esportes

O iSports foi inicialmente desenvolvido para ser utilizado no futebol. Porém, o programa também pode ser uma ferramenta empregada por treinadores de outras modalidades esportivas. Para tanto, basta o profissional entrar em contato com o pesquisador, solicitando as adaptações necessárias.

Para entender melhor sobre como funciona o iSports, confira o vídeo abaixo.

Com informações do Cemeai

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