Carro a hidrogênio e outros projetos estão na pauta de centro de pesquisa da Poli

Biodigestores, carro movido a hidrogênio e substituição do diesel em caminhões da indústria mineradora estão entre projetos para 2017 do Centro de Pesquisa para Inovação em Gás Natural

Por - Editorias: Tecnologia
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Centro estuda modelos pesquisa e busca parcerias e recursos para novos projetos - Foto: Divulgação
Centro estuda modelos de pesquisa e busca parcerias e recursos para novos projetos – Foto: Divulgação

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Biodigestores, carro movido a hidrogênio e substituição do diesel em caminhões da indústria mineradora são temas cogitados para os próximos projetos do Centro de Pesquisa para Inovação em Gás Natural (RCGI – Research Centre for Gas Innovation), sediado na Escola Politécnica da USP (Poli). Pesquisadores se reuniram no segundo Workshop Interno RCGI: resultados de julho a dezembro de 2016 e discutiram os próximos passos, além de fazerem um balanço das atividades de um ano de atuação do centro e assistirem à apresentação dos 29 atuais projetos da sua rede de pesquisa. O workshop aconteceu na Poli nos dias 14 e 15 de dezembro do último ano.

“Temos algumas propostas de novos projetos, ainda em estudo. O carro movido a hidrogênio é um deles. Seu mérito científico foi reconhecido, mas é preciso arrumar a contrapartida de um fabricante de ônibus para conseguirmos tocar adiante a proposta. Também estamos estudando projetos na área de biodigestores, em diversas linhas. A professora Suani Coelho, uma das maiores experts do mundo em biogás, está responsável por essas propostas. Temos ainda uma proposta de estudo de hubs offshore, no âmbito do conceito gas to wire, e de substituição do diesel em caminhões usados no setor de mineração, com a equipe do professor Kazuo Nishimoto, do Tanque de Provas Numérico da Poli”, afirmou o professor Julio Meneghini, diretor acadêmico do RCGI.

Segundo ele, há ainda a possibilidade de um aporte adicional de recursos por parte da Shell, uma das mantenedoras do RCGI. “Eles estão muito felizes com nosso trabalho e as perspectivas para o próximo ano são muito boas. O centro poderá contar com o patrocínio da Fapesp/Shell por um prazo de até 11 anos. Poderemos começar o segundo ano de atividades com motivação adicional”, afirmou, lembrando que a missão do RCGI também sofreu mudanças o longo deste primeiro ano, focando, além do uso sustentável do gás natural, também o hidrogênio, o biogás e o abatimento de emissões de gás carbônico em escala global.

Meneghini enfatizou a necessidade de adicionar universidades internacionais, com expertise nos temas ligados ao centro, à lista de parceiros do RCGI. “Isso já fazia parte do nosso primeiro planejamento estratégico, o centro começou suas atividades com uma forte parceria com o Imperial College London. Mas entendo que temos também que focar em algumas outras renomadas instituições, entre as quais eu cito a Universidade de Oxford, que tem excelência em estudos sobre combustão; a Universidade de Stanford, que também poderá vir a trabalhar o conceito do separador supersônico de gases; o Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech); a Universidade de Tóquio, que trabalha muito com a tecnologia de Carbon Capture and Storage (CCS) e com hidratos de metano; e também a Universidade Nacional de Yokohama.” Além delas, o professor citou as brasileiras Unicamp, Universidade Federal do ABC e Universidade Federal de São Carlos, com quem o RCGI já vem mantendo contato.

Ele também ressaltou a quantidade de publicações dos pesquisadores do RCGI. “As publicações são importantes, mas hoje, também é dada muita ênfase à inovação e ao depósito de pedidos de registro de patentes. Lembrando que só há inovação quando uma patente torna-se um produto e chega ao mercado.”

Modelos de inovação

Após a exposição de Meneghini, a consultora Karen Mascarenhas expôs os primeiros resultados de suas pesquisas em universidades estrangeiras. Ela está estudando e comparando diferentes modelos de centros de pesquisa no mundo. Visitou diversas universidades nos EUA, Reino Unido e Japão para saber em detalhes como desenvolvem inovação, como obtêm financiamento e como trabalham com o conceito de tripla hélice, o qual envolve esforços do governo, academia e setor privado.

“Percebi que há no mínimo dois modelos: o adotado no Reino Unido e nos EUA, em que o financiamento vem tanto do governo quanto da iniciativa privada, e ainda de doações de ex-alunos e de fomento a partir da atração de estudantes estrangeiros; e o modelo japonês, em que o financiamento é maior por parte do governo.”

No primeiro caso, há grande internacionalização e foco em tecnologia de ponta. As instituições americanas e inglesas atraem os melhores estudantes, que produzem inovação, desenvolvem startups. A iniciativa privada foca sua atuação em produtos aplicados, que podem ser disseminados e utilizados em larga escala.

Já no Japão, acrescenta ela, a maioria dos centros de pesquisa está dentro das empresas. Eles trabalham com grande amplitude de temas e contratam recém-formados, pessoas jovens, como funcionários, que muitas vezes trabalham em parceria com outras empresas. Lá eles também estão investindo em internacionalização, mas há o problema do idioma, que pesa um pouco na hora de atrair alunos estrangeiros.

Da Assessoria de Comunicação da Poli

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