Site ChuvaOnline permite monitorar chuvas em São Paulo em tempo real

Serviço é útil à população e a órgãos governamentais pois mostra local, intensidade e direção das chuvas através de um novo sistema de radares que cobre toda a cidade

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Dentre os diversos problemas estruturais da cidade de São Paulo, um dos maiores são as constantes enchentes que acometem várias partes da capital quando chove. Agora, a população possui uma nova ferramenta para se prevenir desse tipo de inconveniente: o site ChuvaOnline. Desenvolvido pelo Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP em parceria público-privada com a empresa de meteorologia Climatempo e a Fundação Centro Tecnológico de Hidráulica (FCTH) da Escola Politécnica (Poli) da USP, o site permite ao usuário saber em tempo real onde está chovendo, com que intensidade e em qual direção vai a chuva.

Segundo o professor Carlos Augusto Morales, do IAG, responsável pelo projeto, a ideia surgiu como resposta a um acordo de cooperação entre a USP e da Defesa Civil do Governo do Estado de São Paulo, que resultou na criação do Centro de Estudos e Pesquisas sobre Desastres (Ceped) da USP em 2012. À época, foi solicitado que a Universidade desenvolvesse um plano com o objetivo de mitigar os efeitos das chuvas na cidade de São Paulo e região litorânea. Porém, devido à falta dos equipamentos necessários, o projeto teve que ser adiado.

 

Radar atmosferico de chuva localizado no IF/USP - foto Cecília Bastos/Usp Imagens
Radar atmosférico de chuva localizado no IF/USP – foto Cecília Bastos/USP Imagens


“O valor de um radar meteorológico convencional é da ordem de US$ 1,5 milhão, além dos também altíssimos custos de manutenção e operação. Há radares menores por US$ 500 mil, que ainda é bem caro, mas fizemos uma pesquisa e conseguimos encontrar um minirradar por US$ 100 mil. Então apresentamos o projeto à Prefeitura da USP e conseguimos comprá-lo e o instalamos na Cidade Universitária”, conta o professor. Ele diz que a vantagem do minirradar é que, além de atender às necessidades do projeto, ele também pode ser usado por cidades de pequeno e de médio porte que não têm condições de arcar com os custos de um radar convencional e por empresas que não queiram investir tanto dinheiro no equipamento.

Mas para viabilizar o ChuvaOnline o professor Morales precisou encontrar outras parcerias. “Não podíamos depender só da USP e do Estado para fazer a operação e a manutenção dos equipamentos, então busquei uma parceria público-privada com a Climatempo, que assumiu esses encargos, e os convenci também a comprar ainda outro radar, que instalamos no campus da zona leste, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP.” Além disso, Morales também conseguiu ajuda do governo da França, que possui um projeto de financiamento a países em desenvolvimento, e assim conseguiu adquirir um radar de última geração, que foi instalado no Parque de Ciência e Tecnologia (Parque CienTec) da USP, na zona sul de São Paulo.

Com os três radares de alta resolução posicionados nas zonas leste, oeste e sul de São Paulo, o raio de cobertura chega a 60 quilômetros, suficiente para monitorar toda a região metropolitana de São Paulo, e o equipamento para o ChuvaOnline estava completo. A tecnologia e a disposição dos radares também garante definição espacial e temporal muito maiores do que aquela com a qual se operava até agora em toda essa área. Com os três aparelhos, é possível acompanhar detalhadamente a situação em até 100 metros (antes, num espaço tão reduzido, a definição se perdia), com atualização a cada minuto. “Assim, a pessoa pode ver até se está chovendo no vizinho”, ressalta Morales.

 

Carlos Augusto Morales é professor do IAG. fotos: Cecília Bastos/Usp Imagens
Carlos Augusto Morales é professor do IAG. fotos: Cecília Bastos/USP Imagens


O site opera sobre a plataforma do Google Maps, mostrando na área compreendida pelos radares a imagem das chuvas se deslocando em “nuvens” coloridas. As cores representam a intensidade da chuva (azul para garoa, verde para chuva fraca, alaranjado para chuva moderada, vermelho para chuva forte e rosa para granizo). Além da chuva momentânea, é possível ver como estava o clima dias, horas ou minutos atrás. “O sistema não trabalha com previsão, mas se você pegar a chuva de meia hora atrás e ver para onde ela está se movendo, pode ter uma ideia de onde ela vai estar e se programar”, esclarece o professor.

Ele explica que, por questões de praticidade, a atualização disponível é a cada cinco minutos, pois uma atualização a cada minuto tornaria inviável acessar o serviço pelo celular, por exemplo. “Estamos trabalhando em aplicativos e melhorando o layout da página. Para o aplicativo ainda não temos previsão, mas o site estará finalizado até o começo de dezembro, na temporada de chuvas. Mas o site já está operando”, diz Morales.

Além de ser uma ferramenta útil à população, o site também presta serviço para órgãos governamentais. “A Prefeitura e o Estado têm acesso também a um sistema de alarme, e baseados nele eles podem tomar decisões como fechar uma rua ou evacuar uma região. Isso não está disponível para a população pois poderia gerar pânico, não temos como educar a população sobre o que fazer, e essa não é nossa ideia”, explica Morales. “A função da Universidade é realizar pesquisa e divulgar publicamente o conhecimento. E essa é outra atribuição do ChuvaOnline: usamos os resultados nos cursos de graduação e pós-graduação, bem como nos cursos de extensão que estão por vir. Devemos fazer uma escola de radar com os equipamentos sendo utilizados em tempo real pelos alunos, coisa que não se tem em outros lugares.”

Segundo o professor, esse serviço interessa também ao CTH, que faz alertas de enchentes para a Prefeitura, trabalhando com uma resolução menor. “Vamos integrar nosso sistema ao deles e ver qual é o ganho que eles terão com essa resolução espacial de 100 metros e a resolução temporal de um minuto numa cidade extremamente urbanizada como São Paulo. A tendência é que em alguns anos tenhamos um sistema de alertas muito mais eficiente”, diz Morales.

Na tarde de sábado, 22 de outubro, o professor Morales ministrou uma palestra no Parque CienTec, com o tema Monitoramento de Tempo Severo em São Paulo, como parte da Semana USP de Ciência e Tecnologia. Nela, Morales apresentou o ChuvaOnline aos presentes e explicou como funciona o monitoramento de chuvas e tempo severo.

O ChuvaOnline pode ser acessado através do site www.chuvaonline.iag.usp.br.

Ouça abaixo entrevista do repórter Diego Smirne com o professor Carlos Augusto Morales para a Rádio USP:

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