Plataforma reúne maiores acervos digitais do mundo

Desenvolvida por professores da USP, Biblioteca Digital Vérsila deve levar a uma maior exposição das pesquisas brasileiras entre a comunidade científica internacional

Share on Facebook0Share on Google+0Tweet about this on TwitterShare on LinkedIn0Print this pageEmail
A página de abertura da Biblioteca Digital Vérsila na internet – Foto: Cecília Bastos/USP imagens
A página de abertura da Biblioteca Digital Vérsila na internet – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

Desenvolvida por pesquisadores da USP, a Biblioteca Digital Vérsila é considerada a maior em acervo digital acadêmico do Hemisfério Sul e disponibiliza gratuitamente toda a produção científica aberta dos melhores centros de pesquisa do mundo. Desde seu lançamento, no final de 2015, a Vérsila já teve mais de 25 milhões de impressões de páginas na internet. Com maior exposição na rede, a expectativa é que as pesquisas brasileiras possam ter maior visibilidade e mais impacto na comunidade científica internacional.

Segundo Giovanni Eldasi, coordenador da Vérsila e pesquisador do Núcleo de Políticas Públicas (NUPPS) da USP, a iniciativa da biblioteca partiu de um “paradigma de usabilidade de informações”, surgido no final dos anos 90, quando as instituições de ensino superior e de pesquisa passaram a disponibilizar na internet sua produção intelectual por meio do movimento de acesso aberto à literatura científica ou Open Access. A iniciativa cresceu, democratizando o acervo intelectual das universidades, mas surgiu o problema da usabilidade. As pessoas tinham dificuldade de acesso às produções por “exigir a visita a milhares de repositórios acadêmicos”.

A solução encontrada foi criar concentradores que reunissem em um único sistema o maior número possível de informações acadêmicas digitalizadas na internet. A infraestrutura física e logística da Vérsila é composta de uma rede de servidores integradores mantidos nos Estados Unidos (West Virginia e Califórnia), na Europa (Dublin, Irlanda, e Frankfurt, Alemanha), na Ásia (Tóquio, Japão), no Pacífico (Sydney, Austrália) e na América do Sul (São Paulo). A plataforma é integrante do consórcio internacional Open Archives Initiative, na modalidade de Service Provider.

Semanalmente, cada servidor integrador capta novos acervos e itens digitais de sua região geográfica, realiza a sua filtragem e curadoria digital e os integra em um só acervo disponibilizado gratuitamente ao público em seu site.

Prioridade regional

Construída por uma equipe multidisciplinar, formada por pesquisadores e alunos da USP, a Vérsila foi planejada para fazer recorte regional, priorizando conteúdos de instituições brasileiras, hispânicas e latino-americanas, além de ser uma alternativa aos buscadores comerciais que tendem a direcionar os resultados de suas buscas para pesquisas anglo-saxônicas. Segundo Eldasi, o universo plural das pesquisas científicas demandava iniciativas que não dependessem de mecanismos comerciais que tendem a monopolizar as buscas na internet e fazer recortes únicos.

O professor Giovanni Eldasi, do Núcleo de Políticas Públicas da USP – Foto: Cecília Bastos/USP imagens
O professor Giovanni Eldasi, do Núcleo de Políticas Públicas da USP – Foto: Cecília Bastos/USP imagens

Para Eldasi, a Vérsila assumiu uma identidade latino-americana e própria do Hemisfério Sul, podendo oferecer recortes de produção científica mais significativos para uma comunidade de um país ou região. Os textos dão destaque para a produção em língua portuguesa e 99% do acervo é composto de obras completas, o que confere ao site qualidade e relevância nos resultados das buscas.

Atualmente, 63 países integram a base de dados da Vérsila. No Brasil, são cerca de 150 universidades, além de outros órgãos, como o Supremo Tribunal Federal (STF), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Câmara dos Deputados e a Scielo Brasil. Na USP, fazem parte da biblioteca o Portal de Teses e Dissertações, o Portal da Produção Científica e o Portal de Periódicos.

No total, a Biblioteca Digital Vérsila reúne atualmente 7.685 fontes (universidades, centros, grupos e unidades de pesquisa), 284.988 publicadores (revistas, congressos, anais e coleções científicas), 29.431.892 autores e contribuidores de 63 países e territórios integrados.

Open Access quer ciência aberta na internet

O Open Access é um movimento internacional que começou nos anos 90 e defende a ideia de que o conhecimento científico, veiculado em artigos, teses, dissertações e outros documentos acadêmicos, seja disseminado de forma ampla e irrestrita pela internet. O objetivo é democratizar a literatura acadêmica, dando maior visibilidade e acessibilidade ao conteúdo.

Um marco internacional do movimento foi a declaração Budapest Open Access Initiative, publicada em 2002, com definições sobre acesso aberto às publicações científicas. “Uma antiga tradição e uma nova tecnologia convergiram para tornar possível um bem público sem precedentes”, afirma a declaração. “A antiga tradição é o desejo de cientistas e pesquisadores de publicar os frutos da sua pesquisa em revistas científicas sem pagamento, por amor à investigação e ao conhecimento. A nova tecnologia é a internet. O bem público que eles tornam possível é a distribuição eletrônica global de literatura científica e o completamente grátis e irrestrito acesso a ela por cientistas, pesquisadores, professores, estudantes e outras mentes curiosas.” No Brasil, iniciativas da Scielo e da Biblioteca de Teses e Dissertações da USP se tornaram paradigmas de Open Access. Todos esses acervos estão hoje reunidos na Vérsila.

A Biblioteca Digital Vérsila pode ser acessada no endereço eletrônico http://biblioteca.versila.com.

Share on Facebook0Share on Google+0Tweet about this on TwitterShare on LinkedIn0Print this pageEmail

Textos relacionados