Conheça as pesquisadoras da USP que venceram prêmio L’Oréal Unesco para mulheres cientistas

As pesquisas premiadas são da área da saúde e buscam a compreensão do Alzheimer, de demências vasculares e de infecções gastrointestinais

Por - Editorias: Ciências
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Claudia Kimie Suemoto lidera pesquisa com o Alzheimer e demência vascular na Geriatria e Denise Morais da Fonseca, autora do projeto sobre doenças gastrointestinais - Fotos: Marcos Santos/USP Imagens
Claudia Kimie Suemoto lidera pesquisa com o Alzheimer e demência vascular no setor de Geriatria da Faculdade de Medicina da USP e Denise Morais da Fonseca é autora do projeto sobre doenças gastrointestinais do Instituto de Ciências Biomédicas da USP. Fotos: Marcos Santos/USP Imagens

Duas pesquisadoras da USP estão entre as ganhadoras da 11a edição do Prêmio L’Oréal Unesco 2016. As contempladas foram Claudia Kimie Suemoto, da Faculdade de Medicina (FMUSP), e Denise Morais da Fonseca, do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB ). Elas receberão uma bolsa de R$ 50 mil para auxiliar a dar continuidade em suas pesquisas. A cerimônia de entrega será dia 20 de outubro, no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro.

O concurso é feito pela L’Oréal brasileira, em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC). O prêmio é concedido a jovens cientistas mulheres que se destacaram em suas áreas de atuação.

20160809_01_premio_claudiaClaudia Suemoto é médica e professora da disciplina de Geriatria da FMUSP desde 2011. O projeto que foi contemplado trata da compreensão dos fatores de risco do mal de Alzheimer e da demência vascular, principais causas mundiais de mortalidade e morbidade, e para as quais, por enquanto, não há previsão de cura nem formas de prevenção.

Claudia faz parte de uma equipe de investigação científica que pretende fazer a associação da aterosclerose das artérias carotídea e coronariana e as alterações neuropatológicas relacionadas ao Alzheimer e à demência. Utilizando materiais (cérebros e artérias) do Banco de Encéfalos do Grupo de Estudo em Envelhecimento Cerebral da FMUSP, será possível medir diretamente o grau de obstrução arterial e o tipo de placa de ateroma nas artérias carótidas e coronárias. O estudo também irá quantificar as lesões relacionadas à DA e DV, superando algumas das limitações dos estudos clínicos longitudinais e expandindo o conhecimento gerado por estudos de autópsia anteriores.

Artéria carótida comum com placa de aterosclerose - Foto: Arquivo pessoal da pesquisadora Claudia Suemoto
Artéria carótida comum com placa de aterosclerose – Foto: Arquivo pessoal da pesquisadora Claudia Suemoto

Segundo a pesquisadora, o prêmio foi um reconhecimento ao valor da mulher cientista brasileira, que, a seu ver, poderá servir de “estímulo para outras pessoas seguirem o mesmo caminho”. A premiação em dinheiro chegou em boa hora, “uma vez que as verbas de pesquisas vindas de outras fontes andam escassas”, afirma. Claudia se formou e fez residência médica na USP em 2000 e 2002, respectivamente. Fez mestrado em Epidemiologia (2012/2013) e pós-doutorado (2013/2015) pela Harvard School of Public Health, EUA . Em 2011, se tornou professora pesquisadora da Geriatria da Faculdade de Medicina da USP.

Denise é especialista em doenças infecciosas do trato gastrointestinal. Sua pesquisa tenta compreender como um único episódio de infecção aguda pode causar alterações específicas e duradouras no sistema imunológico do intestino, formando uma espécie de “cicatriz” e predispondo o paciente que teve a infecção ao desenvolvimento de outras doenças, como inflamação intestinal, alergias, diabete, obesidade e doenças cardiovasculares.

20160809_01_premio_deniseSegundo Denise, é comum as pessoas não darem muita importância às infecções agudas gastrointestinais que elas sofrem ao longo da vida. São simples, saram rápido e os sintomas tendem a desaparecer em dias. Porém, Denise mostra em laboratório que essas “simples infecções” levam o intestino a sofrer alterações em suas estruturas que predispõem os indivíduos à aquisição de outras doenças mais graves. A partir dessa constatação, Denise pretende dar continuidade aos trabalhos para descobrir biomarcadores a serem utilizados em exames que detectem e impeçam o surgimento das doenças crônicas.

Com apenas 34 anos, Denise se diz honrada e conta que a premiação é o reconhecimento da comunidade científica sobre a importância da linha de pesquisa que está estabelecendo. Depois do pós-doutorado no National Institute of Health, em Bethesda, EUA, voltou ao Brasil como pesquisadora para assumir a coordenação dos trabalhos nos laboratórios do ICB. Acredita que o prêmio traga visibilidade e projeção às mulheres no mundo científico e nutre o desejo de que algum dia homens e mulheres compartilhem as mesmas oportunidades e reconhecimento profissional.

Denise é formada pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), fez mestrado e doutorado na FMRP e pós-doutorado no Laboratory of Parasitic Diseases do National Institut of Health. Além das pesquisadoras da USP, outras cinco mulheres de universidades e institutos de pesquisas brasileiros também foram agraciadas com o prêmio.

Prêmio L’Oréal

No Brasil desde 2006, o programa é motivado pela transformação do panorama científico. Favorece o equilíbrio dos gêneros no cenário brasileiro e global com o incentivo da entrada de mulheres no universo científico. Na edição local, anualmente são escolhidas sete jovens pesquisadoras de diversas áreas de atuação que são contempladas com bolsas-auxílio para investimento em suas pesquisas.

Em dez edições, o prêmio já reconheceu 68 cientistas promissoras que receberam impulso extra para prosseguimento em seus estudos e incrementar o desenvolvimento da ciência no Brasil. Os trabalhos são avaliados por uma comissão julgadora formada por renomados profissionais da área. Interessadas em concorrer ao prêmio da próxima edição devem se inscrever no site da L’Oréal a partir de março de 2017. Os regulamentos podem ser encontrados neste link.

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