Especialistas ressaltam a importância do gás natural como fonte de energia

Aumento da oferta de gás natural oriundo dos campos de petróleo do pré-sal renova interesse pelo combustível

Por - Editorias: Ciências
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Foto: Wikimedia Commons
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“O gás natural é estratégico para o Estado de São Paulo e um energético fundamental para o futuro.” A afirmação é do subsecretário de Petróleo e Gás do Estado, Ubirajara Sampaio de Campos, que esteve presente no I Workshop do Centro de Pesquisa para Inovação em Gás Natural (Research Centre for Gas Innovation – RCGI), na Escola Politécnica (Poli) da USP, nos dias 27 e 28 de julho.

O evento reuniu coordenadores e pesquisadores dos 28 projetos de pesquisa do RCGI, um centro de excelência apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e pelo Grupo BG-Shell, que tem o objetivo de pesquisar inovações em gás natural, hidrogênio e formas de mitigar emissões de CO2. O centro tem o patrocínio no âmbito das modalidades  Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) e Pesquisa em Parceria para Inovação Tecnológica (Pite).

Durante o encontro, cientistas responsáveis pelos projetos expuseram resultados preliminares dos primeiros seis meses de pesquisas para um público formado por professores, pesquisadores e representantes da BG-Shell e do governo paulista. “São Paulo é o maior consumidor de gás natural do Brasil e tem a rede de distribuição mais desenvolvida do País. Atualmente, o gás representa cerca de 20% da nossa matriz energética e a perspectiva de ter uma oferta crescente em um futuro próximo garante que comecemos a nos preparar para a utilização mais eficiente desse combustível, principalmente do produzido offshore”, completou o subsecretário de Petróleo e Gás.

Foto: Visualhunt
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O Brasil tem a segunda maior reserva de gás natural da América Latina – 500 bilhões de metros cúbicos de reservas provadas -, perdendo apenas para a Venezuela. Nos últimos seis anos, o aumento da participação do gás natural na matriz energética brasileira foi de 30%. Entretanto, boa parte do gás natural produzida hoje no País é reinjetada no subsolo, inclusive a oriunda do pré-sal, calculada em 6,3 bilhões de m³ em 2014. Neste mesmo ano, 5,1% da produção total brasileira foi queimada ou perdida, e 18,0%, reinjetada. Em comparação a 2013, o volume de queimas e perdas cresceu 24,3%, e o de reinjeção aumentou 47,8%.

Para o professor Julio Meneghini, diretor acadêmico do RCGI, a importância crescente do gás na matriz energética brasileira e a abundância da oferta, sobretudo após o início da exploração dos campos do pré-sal, tornam o momento propício para a pesquisa e o desenvolvimento de inovação em exploração, armazenamento, transporte e usos finais do gás natural. Na opinião do especialista, uma equipe multidisciplinar faz toda a diferença nessa abordagem.

“Eventos como este evidenciam o approach multidisciplinar da equipe, essencial para o compartilhamento de novos conhecimentos e o fomento da inovação. Em nossos 28 projetos temos engenheiros – mecânicos, navais, de produção, químicos, civis, elétricos, entre outros–, além de advogados, economistas, geógrafos, biólogos, experts em energia, físicos e químicos. É um time multidisciplinar que está se debruçando sobre diversos aspectos da exploração, dos usos e do aproveitamento do gás natural em nosso país.”

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São Paulo é o maior consumidor de gás natural do Brasil – Foto: Visualhunt

Meneghini afirmou também que é necessário organizar a estrutura de pensamento para produzir conhecimento, mas que somente isso não basta. “Para geração de novos produtos temos de ir além da organização do conhecimento: é preciso usar a intuição e criar um ambiente favorável para que tenhamos insights.” Para os profissionais Alexandre Breda, José Alfredo Ferrari Jr. e Pauline Boeira, do Grupo BG-Shell, “o alinhamento com a estratégia de negócios da empresa, a construção de business cases robustos e a avaliação do binômio prêmio x risco para os envolvidos são fundamentais”.

Entre os projetos apresentados pelo RCGI estavam a produção de polímeros de alto valor agregado por meio de bactérias a partir do metano presente no gás, a otimização topológica de diversos dispositivos para evitar o vazamento de metano, a melhora de processos de combustão que envolvem gás natural, o desenvolvimento de novas tecnologias para a separação do metano e gás carbônico, e inovações nos processos de produção de gás de síntese, entre diversos outros. Por fim, foi anunciada a criação de um laboratório referência de diagnóstico avançado de combustão na América Latina.

“Neste primeiro workshop, como os projetos são ainda muito recentes, temos resultados iniciais. Mas, conforme o tempo for passando, esperamos apresentar resultados mais avançados nos próximos workshops”, afirmou Meneghini. De acordo com o professor, novos workshops deverão acontecer a cada seis meses, sempre em julho e dezembro.

Angela Trabbold / Acadêmica Agência de Comunicação

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