Visita a museus deve gerar entusiasmo e curiosidade em crianças

Pesquisadoras estudam iniciativa do cartunista Mauricio de Sousa, ao transformar seus personagens em obras de arte

Por - Editorias: Ciências Humanas
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Foto: Pixabay / CC0 Public Domain

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Refletir sobre como apresentar as artes plásticas para crianças, discutir sobre ações educativas que visam a incluir e integrar esse público muito especial no museu de artes – é o que propõe o artigo Dos Quadrinhos para o Museu: A democratização da informação em artes para o público infantil, de Cristina Carvalho, Thamiris Bastos Lopes e Clarisse Duarte Magalhães Cancela, publicado na revista ARS, tomando como base a iniciativa do cartunista brasileiro Mauricio de Sousa, ao transformar seus personagens de história em quadrinhos em obras de arte para exposições nos museus. As autoras destacam a percepção de desenvolvimento infantil, defendida pelo psicólogo Henri Wallon, como o ponto de partida para sustentar o argumento da aquisição de conhecimento, pelas crianças, em espaços expositivos, considerando o fator emoção.

Estudos apontam para um novo conceito de museu, nascido de uma abordagem multidisciplinar que incorpora diferentes áreas do saber, sobretudo a educação, e que valoriza a sensibilidade e a emoção do público, pois, para as autoras, a museologia, atualmente, “centra-se no público, pois é ele quem define o que é o museu para a sociedade – é o seu uso que lhe dá sua forma social”, sem contar que a função social dos museus vem mudando “sensivelmente no curso da história, modificando o conteúdo, a forma de funcionamento e a administração dessas instituições”.

História da arte para criança, no MAC – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

A ida da criança ao museu, como um processo educativo e de comunicação, estimula os pequenos a dirigir um novo olhar para a realidade, para seu patrimônio cultural e artístico, e então contar com meios de transformar sua própria realidade. Desse modo, Cristina, Thamiris e Clarisse sugerem que os profissionais da área preparem exposições em que, ao invés de “divulgar discursos criados com a intenção de comunicar ideologias, conceitos e informações a seus visitantes”, apostem “na possibilidade de gerar o entusiasmo, o interesse e a curiosidade acerca dos diferentes conhecimentos expostos”.

Seguindo a linha de reflexões sobre a arte nos museus, as autoras ressaltam a necessidade de despertar, no público infantil, não apenas a admiração do belo, mas também o espírito de análise e de interpretação de acervos artísticos, já que a arte é compreendida como ” fruto da atividade humana”, “ferramenta para a formação do olhar sensível”, “como fundamental no processo de desenvolvimento infantil […] e, por outro lado, estimula que a criança construa modos de se colocar como indivíduo coletivo e participativo, expressando desejos, emoções, pensamentos e opiniões perante a sociedade”.

Crianças em atividade no MAC – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Quando Cristina, Thamiris e Clarisse comentam: “aprimorar práticas que contribuam para a democratização dos museus, pensados como espaços de inclusão e não de segregação”, sugerem a interação, a inserção da criança nos museus por meio de projetos educativos “que promovam, pelo fruir das emoções, a tomada de consciência a partir do acesso ao universo simbólico da cultura”. Ideias criativas e inovadoras são sempre bem-vindas, como o trabalho História em Quadrões com a Turma da Mônica 1 e 2, de Mauricio de Sousa, com paródias de obras universais importantes que possibilitam, ao público infantil, familiarizar-se com noções de história da arte. Assim, a obra Mona Lisa se torna Mônica Lisa, e A Última Ceia se transforma em A Última Janta, e essas “são acompanhadas por reproduções dos originais que as inspiraram, ao lado de informações sobre os artistas e sua produção”.

Cristina Carvalho é doutora em Educação pela PUC-Rio, professora do Programa de Pós-Graduação em Educação – PUC-Rio e coordenadora do Grupo de Pesquisa em Educação, Museu, Cultura e Infância (GEPEMCI).

Thamiris Bastos Lopes é mestre em Museologia e Patrimônio, professora de Educação Infantil, doutoranda em Educação pela PUC-Rio e integrante do Grupo de Pesquisa em Educação, Museu, Cultura e Infância (GEPEMCI).

Clarisse Duarte Magalhães Cancela é mestre em Educação, doutoranda em Educação pela PUC-Rio, professora de Artes e integrante do Grupo de Pesquisa em Educação, Museu, Cultura e Infância (GEPEMCI).

CARVALHO, Cristina; LOPES, Thamiris Bastos; CANCELA, Clarisse Duarte Magalhães. Dos Quadrinhos para o Museu: A democratização da informação em artes para o público infantil. ARS, São Paulo, v. 13, n. 25, p. 169-181, 2015. ISSN: 2178-0447. Disponível em: <http://www.revistas.usp.br/ars/article/view/105530>. Acesso em: 19 mar. 2017.

Margareth Artur / Portal de Revistas da USP

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