USP participa de conservação da Casa de Vidro, de Lina Bo Bardi

Projeto de preservação passa pela adaptação para usos atuais da casa, que é hoje sede do Instituto Bardi

Share on Facebook0Share on Google+0Tweet about this on TwitterShare on LinkedIn0Print this pageEmail
Casa de Vidro é marco da arquitetura moderna em São Paulo – Foto: acervo Instituto Bardi / Casa de Vidro

Primeira construção da arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi, a Casa de Vidro foi uma das selecionadas pela Fundação Getty para a terceira edição do projeto Keeping it Modern, que subsidia com até US$ 200 mil projetos de conservação arquitetônica. Considerada um dos ícones da arquitetura modernista, Lina também projetou o Museu de Arte de São Paulo (Masp) e o Sesc Pompeia, ambos na capital paulista.

A coordenação geral da iniciativa cabe ao urbanista e professor do Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAU) da USP em São Carlos, Renato Anelli. O projeto terá cerca de 18 meses de duração, indo até janeiro de 2018, e recebeu US$ 195 mil da Fundação Getty. Tem entre seus objetivos “manutenção, conservação e restauração da Casa de Vidro e seu acervo, assim como promover sua valorização por meio de exposição, livros e outros produtos culturais e didático-pedagógicos”. Antes da Casa de Vidro, a fachada da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP também foi contemplada pelo Keeping it Modern, recebendo a quantia máxima disponível em 2015.

Casa de Vidro

Casa de Vidro – Foto: Divulgação / Instituto Bardi / Casa de Vidro

O edifício, que desde a década de 1990 abriga o Instituto Lina Bo e P. M. Bardi, foi construído entre 1950 e 1952 e serviu como residência para o casal por quatro décadas. Primeiro imóvel erguido no distrito do Morumbi, que começara a ser urbanizado na época, a Casa de Vidro ganhou o nome graças à estrutura de sua fachada, essencialmente composta de vidro.

A peculiaridade da casa, construída em um ambiente tropical, destoando de outros projetos semelhantes e da mesma época, aumenta ainda mais a sua relevância.  “A casa tem sua importância histórica reconhecida nos três níveis. Ela é tombada no nível municipal, estadual e está no processo de finalização do tombamento em nível federal. É um bem que dispensa maiores reconhecimentos. Ela é importante para a história da arquitetura brasileira e internacional. Tem uma relevância no tipo de construção, não só pela importância do casal Bardi”, aponta o urbanista.

Keeping it Modern

O projeto financiado pela Fundação Getty para a conservação da construção de Lina Bo Bardi se divide em quatro “tarefas”. A primeira tem como objetivo levantar e reunir a documentação histórica da casa. A segunda se relaciona com a sistematização de bases digitais das informações, o que inclui o levantamento topográfico em 3D das construções incluídas no terreno e a realização de modelos digitais em BIM (Building Information Modeling), software para modelagem de edificações. Já a terceira e a quarta têm como papel a avaliação do estado de conservação e as patologias e diretrizes de recuperação do imóvel, respectivamente.

Lina Bo Bardi – Foto: Wikimedia Commons

“Esses quatros grupos estão trabalhando e o objetivo é trazer subsídios para um plano de manutenção e gestão da casa, incluindo os três anexos e os sete mil metros quadrados de jardim”, explica Anelli, coordenador geral da equipe. Incluindo os coordenadores das tarefas, o grupo conta com cerca de 15 pessoas.

A principal novidade trazida pelo projeto da Fundação Getty é a metodologia relacionada à conservação da construção. Ao invés de focar simplesmente a restauração a curto prazo, o Keeping it Modern contempla também a gestão do bem. “A preservação passa pela adaptação para usos atuais, e essa casa é hoje sede do Instituto Lina Bo e P. M. Bardi, que abriga o acervo do casal. Temos 7.500 desenhos, 15 mil fotografias, milhares de documentos pessoais ou mesmo profissionais e um número considerável de obras de arte adquiridas por eles durante a vida”, aponta. Além de atender pesquisadores do mundo inteiro, o instituto também promove um trabalho educativo, atendendo a escolas e universidades.

Paralelamente ao projeto de conservação financiado pela Getty, a Casa de Vidro se esforça para se manter financeiramente. “Nós tínhamos até há pouco tempo o apoio da Petrobras, que foi suspenso pelo governo. Hoje é uma instituição que luta muito pela sua sobrevivência, cobrando de visitantes, cobrando direitos autorais daquilo que é publicado, aceitando doações, procurando projetos especiais de apoio cultural que permitam que ela fique aberta”, finaliza o professor do IAU.

Localizado na Rua General Almério de Moura, 200, em São Paulo, o Instituto Bardi é aberto para visitações educativas (programadas) e espontâneas (de quinta-feira a sábado).

Mais informações: site http://institutobardi.com.br

Share on Facebook0Share on Google+0Tweet about this on TwitterShare on LinkedIn0Print this pageEmail

Textos relacionados