Mulheres passaram 40 anos sem poder jogar futebol no Brasil

Futebol e outros esportes que exigem força foram proibidos por décadas, alegadamente por irem contra a “natureza feminina”

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Proibição da Era Vargas tem reflexos negativos no esporte até hoje, como o pouco incentivo à prática e a falta de patrocínio. Na imagem, Marta em amistoso da Seleção Feminina – Foto: Lucas Figueiredo/CBF

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Às mulheres não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza, devendo, para este efeito, o Conselho Nacional de Desportos baixar as necessárias instruções às entidades desportivas do país”, dizia o decreto-lei 3.199 de 14 de abril de 1941. O artigo foi criado durante a Era Vargas e vigente até 1983. Durante todo esse tempo, ele proibiu, dentre os esportes considerados masculinos, a prática do futebol feminino no Brasil.

Conselho Nacional de Desportos proibiu jogos de futebol feminino em todo o País, com a justificativa de que “aquele esporte não combinava com a formação física do belo sexo”. Na imagem, a equipe do Corinthians de Pelotas, na década de 1950,- Foto: Divulgação via Futebol Feminino do Brasil

Para entender como essa proibição foi possível, a historiadora Giovana Capucim e Silva estudou o caso em seu mestrado, recorrendo a documentos e jornais da época.

Sua dissertação se transformou no livro Mulheres Impedidas: A proibição do futebol feminino na imprensa de São Paulo, publicado pelo selo Drible de Letra, da editora Multifoco.

Saiba mais sobre esse período do esporte brasileiro no áudio abaixo:

Mulheres Impedidas: A proibição do futebol feminino na imprensa de São Paulo

Com sua pesquisa, Giovana quer destacar que, mesmo com a proibição do esporte no País, as mulheres nunca pararam de jogar futebol. Seja na várzea ou em eventos de caridade, elas sempre desafiavam a tensão entre a “essência feminina” idealizada pela Era Vargas e a reafirmação da masculinidade presente nos jogos.

“A resistência do Estado, muitas vezes, era o menor obstáculo que elas encontravam para poder jogar futebol”, escreve a historiadora. “Os olhares e comentários repressores recebidos das famílias, amigos e companheiros(as) podiam pesar-lhes muito mais do que qualquer resolução de órgãos estatais”.

Após quatro décadas, a regulamentação do futebol feminino veio em 1983 graças à luta de jogadoras e a relevância econômica internacional. A proibição, no entanto, tem reflexos negativos no esporte até hoje, como o pouco incentivo ao futebol feminino e a falta de patrocinadores.

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