Mais barato e rápido, método de detecção de drogas auxilia polícia

Tese premiada desenvolveu uma série de sensores eletroquímicos e colorimétricos para aplicações em amostras de interesse forense

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Foto: Marcos Santos/USP Imagens

 

Com o objetivo de auxiliar a polícia, uma pesquisa realizada no Instituto de Química (IQ) da USP desenvolveu uma série de sensores químicos que podem ajudar na detecção de quantificação de compostos comumente encontrados na adulteração de amostras das chamadas drogas de abuso, como cocaína, além de compostos tóxicos e perigosos como explosivos (ácido pícrico) e melamina.

Com metodologia inovadora, o químico William Reis de Araujo também realizou estudos fundamentais sobre o comportamento eletroquímico desses compostos. A pesquisa foi uma das vencedoras do Prêmio Tese Destaque USP 2017, na área de Ciências Exatas e da Terra.

“São sensores de fácil manuseio que não precisam necessariamente de cientistas ou pessoal treinado”, esclarece Araujo.  A ideia por trás da pesquisa foi criar sensores que fossem fáceis de ser aplicados em qualquer lugar. Usando elementos como papel sulfite ou coadores de café, o especialista desenvolveu um sistema no qual reagentes químicos adicionados aos materiais pudessem ser utilizados para testes de cor ou até testes eletroquímicos, que exigem maior complexidade para análise.

“Esses testes eletroquímicos precisam de um aparato portátil. Um detector que fosse fácil e pudesse ser rodado em um notebook”, revela o cientista. Sua metodologia, unindo materiais simples e equipamentos do dia a dia, permite que policiais forenses possam realizar testes com baixo custo, praticidade e maior agilidade para análises diretamente no local, com mínima infraestrutura laboratorial. “É uma tecnologia simples que poderia ser empregada em campo, em caso de apreensões”, pontua.

Além da fabricação dos dispositivos analíticos descartáveis em papel, Araujo desenvolveu também uma metodologia de detecção colorimétrica para quantificação de alguns dos principais adulterantes de amostras de apreensão de cocaína, como procaína e fenacetina, bem como análises e discriminações de compostos explosivos (peroxi e nitro compostos) nessas plataformas portáteis e de baixo custo.

“No papel, uma pessoa que não precisa de tantas instruções pode pegar um conta gotas, pingar sobre o papel e observar a variação de cor. Ou seguindo instruções, ela pega o sensor eletroquímico e espera a resposta analítica”, explica ele.

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Eficiência na integração

Conforme explica o cientista, fazer uma análise rápida do conteúdo dos adulterantes em amostras pode auxiliar na descoberta da origem dessas drogas. “Laboratórios clandestinos têm certos padrões, que podem conter especificações. E a Polícia Federal já faz esse controle para rastrear a origem das drogas”, esclarece ele, ao pontuar que esse tipo de análise rápida pode até mesmo gerar políticas de fronteiras.

Com a redução do custo dos materiais e uso de reagentes em quantidades baixas, na forma de gotas, Araujo acredita que a metodologia desenvolvida durante o doutorado pode ajudar e muito a operação da polícia, apesar de não substituir completamente os métodos atuais de análise de amostras.

O objetivo não é substituir os métodos laboratoriais de hoje, mas sim fazer uma primeira verificação, já que nem sempre o que a polícia apreende são drogas”, lembra o especialista.

Uma vez que as drogas e seus adulterantes sejam devidamente identificados pelo seu sistema, caberia aos policiais encaminhar as amostras para uma série de análises confirmatórias. Entretanto, caso o que seja apreendido fosse imediatamente identificado como não sendo uma droga, a polícia teria mais agilidade em dispensar possíveis suspeitos e desafogar sua rotina.

Com a meta de aprimorar ainda mais o método recém-desenvolvido, Araujo acredita que a integração entre as diversas etapas de detecção seja o futuro da área. “Quero ver uma amostra sendo usada em diversas análises possíveis”, conclui.

A tese Desenvolvimento de sensores eletroquímicos e colorimétricos para aplicações em amostras de interesse forense, orientada pelo professor Thiago Regis Longo Cesar da Paixão, do IQ, pode ser acessada neste link.

Arte: Caio Bonifácio/Jornal.usp.br

Mais informações: e-mail will.wra@usp.br

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Pesquisas premiadas no Tese Destaque USP 2017

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