Nova técnica reduz trauma de cirurgias de paralisia facial

Técnica inovadora de pesquisadores da Medicina minimiza os riscos de causar algum dano à audição dos pacientes

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Foto: pt.freeimages.com
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A paralisia facial é uma condição que desfigura o rosto. É estigmatizante e causa muito sofrimento para os pacientes. Ela ocorre devido à inflamação do nervo da face ocasionada por vírus (herpes zoster), trauma (pancada, acidente) ou ainda devido a condições idiopáticas (quando não se conhece a causa). Um dos tratamentos atuais consiste em descomprimir o nervo facial a partir de uma intervenção cirúrgica realizada por meio de duas vias: uma através do ouvido (via transmastoidea) e a outra através do crânio dos pacientes (fossa craniana média). Apesar de apresentar bons resultados, muitas vezes essa cirurgia combinada pode ocasionar problemas auditivos graves.

Uma nova técnica desenvolvida na Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) promete trazer mais segurança aos pacientes. Os pesquisadores do departamento de Otorrinolaringologia Ricardo Ferreira Bento, Rubens Vuono Brito Neto e Marcos Alexandre da Franca Pereira desenvolveram um procedimento cirúrgico que permite descomprimir nervo facial utilizando apenas a via da fossa craniana média. Com isso, é desnecessário acessar a via transmastoidea – é exatamente nessa via que pode ocorrer algo, durante a cirurgia tradicional, que leve ao comprometimento da audição.

“A principal vantagem dessa nova técnica é o menor trauma cirúrgico, o menor risco de comprometer a audição do paciente e o menor tempo de recuperação pós-operatório”, conta o otorrinolaringologista Marcos Alexandre da Franca Pereira. Ele é autor da tese de doutorado Descompressão dos segmentos timpânicos e labiríntico do nervo facial via fossa craniana média, defendida no último mês de fevereiro na FMUSP, sob a orientação do professor Brito Neto e coorientação do professor Bento. Apesar das vantagens, a nova técnica ainda não pode ser utilizada em pacientes com paralisia facial – e nem há previsão de quando isso poderá ocorrer.

Ilustração: Patrick J. Lynch/Wikipedia
Ilustração: Patrick J. Lynch/Wikipedia

Um artigo sobre o tema acaba de ser aceito pela Revista Acta Neurochirurgica (Revista da Sociedade Europeia de Neurocirurgia), uma das mais importantes da área. “É bom ressaltar que esta revista é da área de neurocirurgia e não de otorrinolaringologia”, destaca o pesquisador, lembrando da rapidez com que o artigo foi aceito: o envio ocorreu em novembro de 2015 e ele já foi publicado na edição deste mês de abril. “Esse processo pode levar 10 a 12 meses”, diz o médico.

O nervo facial é composto por quatro segmentos, dentro do osso temporal na lateral do crânio: meatal, labiríntico, timpânico e mastóideo. O estudo constatou que é possível descomprimir, com boa visualização, os primeiros três segmentos utilizando apenas a fossa craniana média. “A cirurgia tradicional utiliza a via transmastodia de forma complementar porque não se conseguia visualizar muito bem o segmento timpânico apenas com a via da fossa cerebral média. Era necessário realizar duas cirurgias diferentes na mesma hora, com duração média de cerca de 4 a 5 horas totais. Agora, com a nova técnica, conseguimos visualizar o segmento timpânico inteiro apenas pela fossa craniana média. A agressão cirúrgica cai pela metade”, destaca Franca Pereira. Entretanto, ainda não é possível prever o tempo de duração da cirurgia com a nova técnica pois o estudo foi realizado em cadáveres.

Ele explica que a pesquisa foi realizada a partir de um estudo anatômico. “As cirurgias foram realizadas em 20 cadáveres disponibilizados pela Faculdade, tendo sido feitas 40 cirurgias no total. Tudo fotografado e documentado”, explica. Entre 2014 e 2015, o médico realizou mais de 26 viagens entre João Pessoa (onde mantêm consultório) e os laboratórios da FMUSP para realizar os procedimentos.

Franca Pereira ressalta que o professor Ricardo Ferreira Bento foi pioneiro na via da fossa craniana média para tratar lesões do nervo facial e no acesso da via fossa craniana média pelos otorrinolaringologistas . “Eu apenas ampliei o trabalho original do professor Ricardo Bento sob a orientação do professor Rubens Brito. Eu trabalhei com os dados daquilo que ele já fazia, fazendo modificações que permitiram ampliar a técnica.”

Mais informações: email franca.otorrino@gmail.com, com o médico Marcos Franca

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