Falta de proteína da superfície do parasita da malária evita infecção do mosquito

Equipe de pesquisadores mostrou que proteína presente na superfície dos plasmódios desempenha papel essencial para que o parasita complete ciclo de vida

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Mosquito Anófeles -Foto: Wikimedia

Um detalhe desconhecido do desenvolvimento do parasita da malária ligado à infecção do mosquito acaba de ser publicado na revista Cell Host&Microbe. Uma equipe internacional de pesquisadores da USP e do Instituto Pasteur, liderada por Daniel Bargieri, parasitologista do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB), mostrou que uma proteína presente na superfície dos plasmódios desempenha papel essencial para que o parasita complete seu ciclo de vida no intestino do mosquito Anófeles, que o transmite, e não antes, durante a invasão dos eritrócitos, as células do sangue do hospedeiro que o parasita usa para se multiplicar. O achado tem consequências para a busca de vacinas ou medicamentos que aliviem o sofrimento causado pela malária.

Em 2015, 214 milhões de pessoas foram acometidas pela parasitose, especialmente em países da África. Ao longo de seu ciclo de vida, o parasita da malária assume formas diferentes, em diferentes pontos dos corpos do hospedeiro e do vetor. A fêmea infectada do mosquito, ao picar o hospedeiro, inocula nele o parasita presente em sua saliva na forma chamada de esporozoíto. Pela corrente sanguínea, os esporozoítos chegam ao fígado do hospedeiro, onde invadem uma classe de células chamadas hepatócitos. É dentro delas que se transformam em merozoítos, outra forma do parasita, que agora invade os eritrócitos. É quando os eritrócitos se rompem por estarem cheios de merozoítos que acontecem os acessos de febre típicos da doença. Até este ponto, a multiplicação do parasita é assexuada. Parte dos merozoítos, no entanto, permanece no interior das hemácias e se diferencia em gametócitos, macho e fêmea. As etapas seguintes da vida do parasita ocorrem no corpo do mosquito que, ao sugar o sangue do hospedeiro, traz para seu corpo as células do sangue carregadas de gametócitos.

É nessa volta ao organismo do mosquito que se situa a descoberta publicada na Cell Host&Microbe. Para continuar o desenvolvimento, os gametócitos se transformam em gametas, quando precisam romper o vacúolo em que se abrigam no interior da eritrócitos. Em células modificadas para não expressar a proteína da superfície, a MTRAP, os cientistas verificaram que os gametas não conseguem deixar o vacúolo. Como resultado, o ciclo de vida do plasmódio é interrompido e o mosquito não pode mais transmiti-lo. Até agora, os parasitologistas atribuíam a essa proteína a capacidade que os merozoítos têm de invadir as hemácias ainda dentro do corpo do hospedeiro. Os experimentos mostraram também que, para essa etapa, a proteína é inócua.

“O trabalho permite uma nova abordagem para influenciar o ciclo de vida do plasmódio”, afirma Bargieri. “Temos agora mais um alvo a ser estudado para bloquear a transmissão do parasita, o que aumenta o potencial para atingirmos o ambicioso objetivo de erradicar a malária”, conclui.

Assista abaixo à entrevista em vídeo:

Do Núcleo de Divulgação Científica da USP

Mais informações: email danielbargieri@gmail.com, com Daniel Bargieri

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