Bebê nascido com zika teve vírus detectado até os dois meses de vida

O caso acompanhado por pesquisadores da USP e da Santa Casa de São Paulo é publicado pela revista “New England Journal of Medicine” nesta quarta-feira, 24

Compartilhar no FacebookCompartilhar no Google+Tweet about this on TwitterImprimir esta páginaEnviar por e-mail
Foto: Indradi Soemardjan/Wikimedia Commons
Foto: Indradi Soemardjan/Wikimedia Commons

Médicos da Santa Casa de Misericórdia e pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP acompanharam o caso de um bebê que nasceu com o vírus zika em janeiro de 2016 e permaneceu infectado por ele até dois meses e uma semana de vida. Esse é o primeiro caso reportado de infecção prolongada por zika em recém-nascido. O bebê nasceu com 3 kg de peso, 48 cm de comprimento e perímetro da cabeça de 32,5 cm, pouco menor que os 33 cm recomendados pela OMS. A princípio, os médicos não detectaram sinais de qualquer anormalidade neurológica: a análise do fluido cerebroespinhal e os exames de olhos e ouvidos mostraram resultados normais. Já imagens obtidas por ressonância magnética mostraram o cérebro do bebê menor do que o esperado, com alguns focos de calcificação e dilatação anormal. Esses resultados e o fato de os sintomas de zika na mãe terem aparecido no sétimo mês de gravidez – quando se supõe que os danos ao feto sejam menores do que quando a infecção ocorre no início da gestação –, levaram a um diagnóstico de microcefalia leve.

20160823-liquor
A análise do fluido cerebroespinhal demonstrou resultados normais, mas ressonância magnética identificou microcefalia – Imagem: Blausen.com/Wikiversity Journal of Medicine

Aos 54 dias de vida, o bebê ainda não evidenciava o comprometimento neurológico. No entanto, aos seis meses, os médicos reportam atraso no desenvolvimento psicomotor, com hipertonia muscular (aumento anormal do tônus e redução da capacidade de estiramento muscular) e hemiplegia espástica (paralisia cerebral) – um quadro mais grave.

O pai do bebê viajou ao Nordeste do Brasil e apresentou sintomas de zika antes de sua mulher, o que deixa aberta a possibilidade de transmissão por via sexual. Exames sorológicos mostraram em ambos anticorpos para o vírus, o que atesta neles a infecção por zika.

O artigo Prolongued Shedding of Zika Virus Associated with congenital infection foi publicado na New England Journal of Medicine (NEJM.org), tendo como autores: Danielle B. L. Oliveira (USP) , Flávia J. Almeida (Santa Casa de São Paulo), Edison L. Durigon (USP) e outros.

Do Núcleo de Divulgação Científica da USP

Compartilhar no FacebookCompartilhar no Google+Tweet about this on TwitterImprimir esta páginaEnviar por e-mail

Textos relacionados