USP vai ao Pico da Neblina descobrir a biodiversidade do Brasil

Pesquisadores coletaram exemplares de 700 espécies, algumas nunca descritas. Expedição durou um mês e teve apoio do Exército

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Nove zoólogos e um botânico coletaram répteis, aves, plantas e mamíferos na mata em torno da localidade de Maturacá, na região do Pico da Neblina, o ponto mais alto do Brasil – Foto: Michellblind via Wikimedia Commons CC BY 3.0

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Conhecer a biodiversidade em um ponto da Amazônia até então inexplorado pela ciência – este foi o objetivo da expedição ao Pico da Neblina, realizada em novembro de 2017 por dez pesquisadores da USP, com o apoio do Exército brasileiro. Por um mês, nove zoólogos e um botânico coletaram répteis, aves, plantas e mamíferos, na mata em torno da localidade de Maturacá, sede de um batalhão de fronteira, e no pico propriamente dito. Como resultado, os cientistas do Instituto de Biociências, do Museu de Zoologia e da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz trouxeram para a USP exemplares de 700 espécies, entre elas algumas nunca antes descritas.

The Chubby Grey, The Big-eyed Red, The Chirping Frog e The Plump Digger – Fotos: Reprodução / Universidade de São Paulo

“Quisemos coletar material nessa área para tentar entender as relações e os contatos entre a Amazônia e a floresta atlântica durante os períodos glaciais e interglaciais”, conta Miguel Trefaut Rodrigues, o herpetologista que liderou a expedição. Para ele, o conhecimento sobre as espécies que ocupam áreas elevadas e mais frias da Amazônia – razão da escolha da região da floresta onde se situa o Pico da Neblina – permite inferir como as espécies encontradas se comportaram durante épocas de clima frio e de clima quente. “Faremos isso estudando comparativamente a morfologia, a genética e a fisiologia das espécies amostradas”, completa o zoólogo.

The Lizard-walking Toad, The Night Sky, The Neblina Pygmy owl e Neblina Phyllanthus

O Exército transportou e alojou os pesquisadores, e montou os laboratórios de campo, onde os exemplares de plantas e bichos receberam o primeiro tratamento depois da coleta. Duas equipes de reportagem acompanharam o trabalho: uma da BBC e outra do Canal USP. A equipe da BBC produziu um documentário que irá ao ar na BBC World News, canal internacional de notícias da emissora britânica, nos dias 15 e 16 de abril (sábado e domingo). A mesma equipe produziu também uma reportagem multimídia especial sobre as espécies encontradas que, provavelmente, nunca foram descritas antes.

Pipa surinamensis – Foto: Reprodução / Universidade de São Paulo

No Canal USP, uma série de vídeos será postada a partir desta segunda-feira. Por duas semanas, toda segunda e toda quinta, você poderá acompanhar nossos cientistas pela área do Pico da Neblina na Amazônia. Mostraremos o trabalho de coleta de roedores, de répteis, de aves e plantas – cada um com sua metodologia. Mostraremos também como bichos e plantas foram tratados nos laboratórios de campo. Finalmente, estivemos com os cientistas neste mês de abril, para saber o que eles já sabem sobre o que trouxeram do ponto mais alto do Brasil e de seus arredores.

Myersohyla Chamaleo – Fotos: Reprodução / Universidade de São Paulo

Mais informações: (11) 2648-1422/1423, e-mail divulgacaocientifica@usp.br com o Núcleo de Divulgação Científica

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