USP realiza o primeiro levantamento demográfico de gêmeos de São Paulo

Os dados foram apresentados no primeiro encontro sobre gêmeos realizado pela USP na Cidade Universitária

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Show de encerramento com os gêmeos Paulo e Chico Caruso e as gemeas Zélia e Selma Mazzei, no Encontro de Gêmeos - Foto: Cecília Bastos/USP Imagens
Show de encerramento com os gêmeos Paulo e Chico Caruso e as gêmeas Zélia e Selma Mazzei, durante o Encontro de Gêmeos – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

Levantamento realizado pelo Instituto de Psicologia (IP) da USP mostra um aumento de crianças gêmeas nascidas na cidade de São Paulo. O índice pulou de 10 em mil nascimentos, em 2003, para 13 em mil nascimentos, em 2014. O estudo foi baseado em dados fornecidos pelo Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc) dos 148 hospitais da rede pública e privada da cidade. O objetivo da pesquisa foi coletar informações para geração de conhecimento científico na área de comportamento de gêmeos.

Uma das prováveis hipóteses deste crescimento é o fato de as mulheres com maior poder aquisitivo, e preocupadas com sua formação profissional, postergarem a maternidade. “Quando estão próximas do fim da vida reprodutiva, elas recorrem cada vez mais às técnicas de reproduções assistidas”, relata a coordenadora da pesquisa, a professora Emma Otta. Um dos elementos que confirma esta hipótese foi o alto percentual de gêmeos encontrados no hospital Albert Einstein. Nesta maternidade, houve registro de 17 a 29 gêmeos em mil nascimentos, enquanto que nos hospitais públicos a taxa variou entre 7 a 11 por mil nascimentos.

O estudo mostrou também que a idade materna influenciou positivamente nas taxas de nascimento de gêmeos. As mulheres com mais de 35 anos tiveram mais gestações múltiplas dizigóticas (formação do embrião a partir de dois óvulos e de dois espermas separados). Quando a maternidade acontecia por volta dos 24 anos, o número de gravidezes monozigóticas e dizigóticas era relativamente igual (de 5 para mil). Com o aumento da idade da mãe, este índice mudava significativamente. Com 35 anos ou mais, as mulheres tinham maiores chances de gestarem gêmeos dizigóticos (35 para mil).

A medicina moderna que tanto tem facilitado a reprodução humana pode não ser o único fator que contribui para o aumento da gemelaridade. Existem outras razões (genética, meio ambiente e idade, por exemplo) que precisam ser consideradas e melhor investigadas pela ciência. Estudo realizado em Gambia, um país rural da África, entre os anos de 1950 e 1974, com uma população que não tinha assistência médica, mostrou aumento significativo de nascimentos de gêmeos em função do aumento da idade materna. “Neste caso, o crescimento da natalidade de gêmeos não pode ser associado à tecnologia de reprodução assistida”, conclui Emma.

Capital dos Gêmeos

Encontro de Gêmeos na USP coodernado pelo Intituto de Psicologia -Foto: Cecília Bastos/USP Imagens
Encontro de Gêmeos na USP coodernado pelo Intituto de Psicologia -Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

Embora o Brasil tenha um município no Rio Grande do Sul – Cândido Godoi – com fama mundial de ter a maior taxa de fecundidade de gêmeos (a cada dez nascimentos, um é gêmeo), o levantamento feito em São Paulo indica que o restante do País está dentro da normalidade. A cada mil crianças nascidas vivas, cerca de 13 são gêmeas. Estes dados também são equivalentes aos de população do restante do continente americano e de países europeus. Os que estão fora da curva estatística são países da África e da Ásia. A Nigéria tem 50 para mil e o Japão 1 para mil.

Estas informações foram apresentadas durante o primeiro Encontro de Gêmeos da USP, realizado dia 11 de novembro, na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP. O evento, além do propósito científico, teve várias interações lúdicas incluindo um show de encerramento com os humoristas e cartunistas Paulo Caruso e Chico Caruso.

O objetivo dos organizadores foi reunir pesquisadores, gêmeos e familiares para coleta de informações e discutir a importância dos gêmeos para a ciência na compreensão da genética e de comportamento. Além da USP, fizeram parte do encontro outras instituições brasileiras e estrangeiras (Califórnia State University, Fullerton / USA; University of Sydney / Austrália) e o Sindicato de Gêmeos. A coordenação foi da professora Emma Otta, da Rede Brasileira de Pesquisa do Comportamento de Gêmeos, do IP, e a principal responsável pelo levantamento de nascimentos de gêmeos feito em São Paulo.

Sindicato dos Gêmeos

Curiosamente, existe um sindicato dos gêmeos e que, apesar do nome, não está relacionado a categorias profissionais. O Sindicato dos Gêmeos tem parceria com a USP e foi criado em 2011 por dois médicos e pelos cartunistas Chico e Paulo Caruso. Um de seus objetivos é cadastrar gêmeos brasileiros para criação de um banco de dados nacional para pesquisas científicas. A partir deste levantamento, a Rede da USP vai iniciar as primeiras investigações sobre o assunto, como levantamento de dados antropométricos, sociais, estilo de vida, comportamento, condições de saúde dentre outros.

Para quem tiver interesse em participar das pesquisas, os contatos são: emmaotta@gmail.com e osgemeosdobrasil@gmail.com, telefone (11) 3091-0022 ou preencher o formulário da Rede USP.

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