Pesquisa mostra potencial de uso de guaraná e boldo em embalagens para alimentos

Filmes poliméricos usando extratos dessas plantas podem ser alternativa para os materiais convencionais

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Extrato de guaraná - Foto: Wikimedia Commons
Extrato de guaraná – Foto: Wikimedia Commons

Duas plantas nativas do Brasil e do Chile, respectivamente o guaraná e o boldo, poderão ser utilizadas como ingredientes ativos na fabricação de embalagens para alimentos. Uma pesquisa desenvolvida por Jeannine Bonilla, pós-doutoranda da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da USP,  investigou as propriedades antioxidante e antimicrobiana dos extratos dessas plantas e demonstrou que são ingredientes que podem ser incorporados em filmes ou recobrimentos biopoliméricos, de origem natural e renováveis. O trabalho é supervisionado pelo professor Paulo José do Amaral Sobral, cientista do Centro de Pesquisa em Alimentos (FoRC – Food Research Center).

“Nosso objetivo é desenvolver novos materiais para embalagens, baseados em biopolímeros, com uso potencial para embalagens ativas, que aumentem o tempo de vida de prateleira e a qualidade dos alimentos”, diz.

Na pesquisa, Jeannine trabalhou com extratos obtidos de diferentes partes das plantas, como folhas secas (alecrim e boldo), sementes (guaraná) e cascas (canela). Atualmente, a maior parte dos filmes usados como revestimentos de embalagens é feita de materiais não renováveis, derivados de petróleo. Têm a vantagem de serem mais baratos, já que a indústria domina seu processo de produção, mas a desvantagem de não serem biodegradáveis.

Boldo - Foto: Wikimedia Commons
Boldo – Foto: Wikimedia Commons

Além de analisar as propriedades físico-químicas, antioxidantes e antimicrobianas dos extratos de guaraná e boldo, ela comparou-os com outros dois que já são conhecidos, no caso, os extratos de canela e alecrim. “Os dados comprovam as qualidades de todos os extratos, mas indicam que o boldo e o guaraná possuem propriedades antioxidantes melhores”, conta.

Os extratos de guaraná e boldo apresentaram, ainda, atividade contra a bactéria Staphylococcus aureus, que pode provocar desde doenças simples, como infecção na pele (espinhas, furúnculos), até mais graves, como pneumonia, meningite e outras.

“São extratos promissores para serem incorporados em matrizes biopoliméricas que constituem embalagens, como, por exemplo, filmes comestíveis e revestimentos para diferentes produtos”, acrescenta. A gelatina e a quitosana (uma fibra natural derivada da quitina, um elemento encontrado nas carapaças de crustáceos como camarão, caranguejo e lagosta) podem servir como matrizes para esses materiais de recobrimento de alimentos.

Esse tipo de filme tem sido muito pesquisado, em razão de suas vantagens. Além de ser biodegradável, pode ser consumido junto com o produto, dadas sua origem natural e a ausência de componentes químicos. “A incorporação destes extratos nas matrizes melhora as propriedades ópticas, como a luminosidade e o brilho dos filmes, por exemplo, além de melhorar as suas propriedades de barreira à luz ultravioleta, propriedades mecânicas e atividade antioxidante-antimicrobiana”, concluiu.

Agora, a pesquisadora está testando o uso do biopolímero como recobrimento para produtos secos, no caso, a castanha do caju e a castanha-do-pará. Posteriormente, ela vai trabalhar na aplicação desse material em produtos com umidade alta, como carnes, leite e frutas.

Sobre o FoRC

Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Criado em 2013, o FoRC é um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Reúne equipes multidisciplinares e infraestrutura laboratorial de diferentes instituições de pesquisa do Estado de São Paulo, como USP, Unicamp, Unesp, Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital) e Instituto Mauá de Tecnologia (IMT). Suas linhas de pesquisa estão estruturadas em quatro pilares: Sistemas Biológicos em Alimentos; Alimentos, Nutrição e Saúde; Qualidade e Segurança dos Alimentos; e Novas Tecnologias e Inovação. Atualmente, cerca de 30 pesquisadores integram o FoRC.

Erika Coradin/Acadêmica Agência de Comunicação

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