Exercícios podem evitar e até reverter perda de neurônios ligados ao coração

Conclusões do estudo com ratos foram publicadas no “The Journal of Physiology “, recebendo distinção pela Associação dos Professores Eméritos da FMUSP

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Representação das vias do sistema nervoso autônomo ao coração - Imagem: Adaptado de Wikimedia Commons
Representação das vias do sistema nervoso autônomo ao coração – Imagem: Adaptado de Wikimedia Commons

Faz parte da progressão da doença cardíaca a perda de neurônios que inervam o coração, prejudicando o funcionamento adequado das vias nervosas relacionadas ao funcionamento cardiovascular e dificultando, por exemplo, a redução dos batimentos e da pressão arterial. A pesquisa do graduando em medicina Marcelo Hiro Akiyoshi Ichige mostra que, em ratos, o exercício físico é capaz de bloquear essas alterações e ainda corrigir a frequência cardíaca. “Esse achado nos permite compreender mecanismos através dos quais o treinamento físico melhora o prognóstico da insuficiência cardíaca, sem os efeitos colaterais de tratamentos medicamentosos”, diz o pesquisador.

A insuficiência cardíaca é uma condição acompanhada por redução da função dos ventrículos (câmaras do coração responsáveis pela ejeção do sangue para o corpo e para a circulação pulmonar), ativação de mecanismos nervosos e hormonais compensatórios e disfunções do sistema nervoso autônomo (parte do sistema nervoso que troca estímulos e informações com as vísceras e outros sistemas), resultando, entre outros problemas, em elevação da frequência cardíaca.

O estudo foi conduzido com modelos experimentais: 47 ratos machos de oito semanas de vida nos quais foi induzida a insuficiência cardíaca por aplicação de droga e procedimento cirúrgico, 28 dos quais concluíram os testes. A divisão dos ratos entre sedentários, de um lado, e submetidos a protocolo de exercícios, do outro, permitiu observar que, com seis semanas de treinamento, evita-se a perda dos neurônios ligados à atividade cardiovascular, readequando o fluxo nervoso para o coração. A correção da disfunção autonômica, obtida pela atividade física, ocorre mesmo com a persistência de função anormal dos ventrículos, como verificado nas análises teciduais e testes realizados.
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Insuficiência cardíaca (HF) cursa com diminuição do número de neurônios preganglionares vagais no núcleo ambíguo, onde se localizam neurônios que controlam o tônus parassimpático ao coração. O treinamento físico (ET) é capaz de reverter esse efeito, mantendo número de neurônios semelhante ao dos animais controle (SHAM) - Foto: Comunicação ICB
Fotomicrografia mostra a diferença na concentração de neurônios entre os grupos pesquisados. A insuficiência cardíaca (HF) cursa com diminuição do número de neurônios preganglionares vagais numa região do cérebro denominada núcleo ambíguo, onde se localizam neurônios que controlam o tônus parassimpático ao coração. O treinamento físico (ET) é capaz de reverter esse efeito, mantendo número de neurônios semelhante ao dos animais controle, saudáveis (SHAM) – Foto:

Pelo trabalho, Ichige recebeu o prêmio de iniciação científica da Associação de Professores Eméritos da Faculdade de Medicina (FMUSP) da USP. O estudo foi desenvolvido no Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, sob coordenação da professora Lisete Compagno Michelini, do Departamento de Fisiologia e Biofísica do instituto.

Os resultados foram publicados no The Journal of Physiology, em agosto deste ano. O artigo Exercise training preserves vagal preganglionic neurons and restores parasympathetic tônus in heart failure sugere que seis semanas de treinamento físico podem evitar a perda de neurônios ligados à atividade cardiovascular e reestabelecer o tônus parassimpático.

O prêmio será outorgado na próxima reunião da Congregação da Faculdade de Medicina, em 16 de dezembro, e o aluno receberá R$ 2.500 pela indicação.

Com informações da Assessoria de Comunicação do ICB

Mais informações: e-mail michelin@usp.br, com Lisete Michelini (também autora do artigo)

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