Exercício trata sintoma de doença reumatológica em crianças

Atividade física pode tratar sintomas como a dor, a fadiga e a fraqueza, sem aumentar a atividade da doença

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Atualmente, prevalece a crença de muitos profissionais da saúde de que o repouso é obrigatório durante o período de atividade da doença reumatológica. Mas esse tipo de tratamento pode até piorar o quadro do paciente – Foto: Marcos Santos / USP Imagens

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A prática de exercício físico por crianças com doenças reumatológicas como lúpus juvenil, dermatomiosite juvenil e artrite idiopática juvenil pode auxiliar no tratamento dos sintomas dessas enfermidades, entre eles a dor, a fadiga e a fraqueza, além de, muitas vezes, amenizar os processos inflamatórios, sem aumentar a atividade da doença.

Esses resultados foram publicados no artigo Physical activity for paediatric rheumatic diseases: standing up against old paradigms, de autoria do professor Bruno Gualano, da Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da USP.

O trabalho, publicado na edição de 23 de maio da revista Nature Reviews Rheumatology, traz uma revisão de estudos realizados pelo docente e outros pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), além de cobrir outros estudos de grupos independentes.

“Nós trazemos evidências contundentes de que programas de atividade física melhoram a saúde desses pacientes, a qualidade de vida, a sociabilidade e parâmetros mais globais associados à saúde geral da criança”, destaca o professor.

Os programas de atividade física melhoram a saúde dos pacientes, a qualidade de vida, a sociabilidade e parâmetros mais globais associados à saúde geral da criança – Foto: Marcos Santos / USP Imagens

O artigo tem coautoria dos pesquisadores da FMUSP Eloisa Bonfa, Rosa M. R. Pereira e Clovis Artur Silva. Os estudos originais do grupo do professor Gualano compilados nesta revisão foram realizados no Laboratório de Avaliação e Condicionamento em Reumatologia do Hospital das Clínicas (HC) da FMUSP, onde são prescritos diversos tipos de atividade física para essas crianças trabalharem equilíbrio, flexibilidade, força, capacidade aeróbia e anaeróbia. Esses exercícios são prescritos de acordo com as possibilidades de cada criança, levando em consideração também suas preferências e procurando adequar um aspecto lúdico às atividades, com o uso de bolas, por exemplo.

O professor comenta que isso é uma quebra de paradigma, pois há pouco tempo o exercício era proscrito para o paciente reumático. Isso porque se acreditava que alguns fatores como inflamação, dor, dislipidemia e resistência à insulina poderiam impor restrição ao treinamento. Porém, segundo Bruno Gualano, esses fatores não contraindicam o movimento, na verdade, apresentam melhoras com o exercício físico. O texto completo pode ser acessado por meio do site da Nature Reviews Rheumatology.

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Os sintomas que de fato contraindicam atividade física geralmente são muito pontuais – anemia, leucopenia, febre. Corrigidos esses fatores, o paciente está apto novamente – Foto: Marcos Santos / USP Imagens

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Mudança de conduta

“Os sintomas que de fato contraindicam atividade física geralmente são muito pontuais – anemia, leucopenia, febre. Corrigidos esses fatores, o paciente está apto novamente”, diz o pesquisador. “Tem que haver uma mudança de conduta que inclua atividade física para esses pacientes, mesmo quando aparentemente eles estejam impossibilitados de se movimentar. Sempre há uma forma de fazer atividade física, ainda que seja algo muito leve como, por exemplo, ficar um tempo em pé”, afirma.

Atualmente, prevalece a crença de muitos profissionais da saúde de que o repouso é obrigatório durante o período de atividade da doença. De acordo com o professor, esse tipo de tratamento pode até piorar o quadro do paciente, que entra em um círculo vicioso em que o sedentarismo leva à disfunção sistêmica e a distúrbios motores e metabólicos, reconduzindo à inatividade e, consequentemente, à piora da qualidade de vida, da autoestima e dos sintomas da doença.

Gualano acredita que essa conduta é causada por desinformação por parte dos profissionais da saúde, que não conhecem os estudos comprobatórios dos benefícios da atividade física aos pacientes com doenças reumatológicas. Em suas próximas pesquisas, o docente irá aplicar questionários a profissionais da área de Reumatologia para avaliar seu conhecimento sobre atividade física. Para ele, esse conhecimento precisaria ser construído desde a graduação: “Deveria haver uma disciplina formal sobre os benefícios gerais da atividade à saúde física e o papel da inatividade para o agravamento da doença. Assim, o médico aprenderia adequadamente a avaliar, a rastrear e a recomendar a atividade física. Isso faria toda a diferença no tratamento”. No artigo, o docente propõe sete passos para promover uma vida ativa a esses pacientes (ver quadro abaixo).

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Da Assessoria de Comunicação da EEFE

Da.

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