Descoberta de fósseis dá novas pistas sobre a origem dos dinossauros

Animais de cerca de 230 milhões de anos, encontrados no sul do Brasil, sugerem que os dinossauros e seus precursores viveram lado a lado, e que a ascensão dos dinossauros foi mais gradual

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Aspecto provável de Buriolestes (animais que estão na parte de cima do desenho) e Ixalerpeton (animais que estão embaixo no desenho)- Imagem: Divulgação

Cientistas brasileiros descobriram, pela primeira vez em uma mesma escavação, esqueletos quase completos de um dinossauro e de um precursor dos dinossauros. A espécie de dinossauro Buriolestes schultzi (animais na parte superior da imagem) tem um crânio de apenas 13 centímetros, um metro e meio de comprimento e 50 centímetros de altura, pesando no máximo sete quilos. Trata-se do único representante estritamente carnívoro do grupo dos sauropodomorfos, que congrega gigantes quadrúpedes do Jurássico como o Diplodocus e o Apatosaurus. Quanto ao outro animal, Ixalerpeton polesinensis (animais na parte inferior da imagem), se trata de um pequeno bípede, do grupo dos lagerpetídeos.

Segundo o professor Max Cardoso Langer, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP e integrante da equipe que estudou os fósseis, “com esse material é possível dizer que os dinossauros e seus precursores viveram lado a lado, e que a ascensão dos dinossauros foi mais gradual, não uma rápida explosão de diversidade, levando outros animais da época à extinção”.

De acordo com Langer, a origem dos dinossauros deve ter ocorrido antes de 230 milhões de anos no antigo supercontinente Gondwana, em terrenos que hoje correspondem à América do Sul, no caso, o Brasil e a Argentina.

As novas espécies foram escavadas de rochas da Formação Santa Maria, de aproximadamente 230 milhões de anos, localizadas no município de São João de Polêsine, Rio Grande do Sul. Segundo Langer, “as rochas da região são extremamente ricas em fósseis, que contam a história de origem de grupos como os dinossauros e os mamíferos”.

Ixalerpeton preserva os primeiros elementos cranianos, escapulares, do antebraço, além de vértebras do pescoço e do tronco, conhecidos para os lagerpetídeos. Esse conjunto tornou possível concluir que os dinossauros herdaram vários traços típicos deste grupo de precursores. A dentição altamente especializada indica que o Buriolestes era estritamente carnívoro e, acreditam os cientistas, este teria sido o comportamento alimentar dos primeiros dinossauros.

As primeiras análises da descoberta foram publicadas nesta quinta-feira, 10 de novembro, na revista Current Biology – Cell.

Além de Langer, integraram o grupo de pesquisa os paleontólogos Sergio Furtado Cabreira, da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), e Alexander Kellner, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), entre outros. Os fósseis foram encontrados pelos paleontólogos da Ulbra Sergio Furtado Cabreira e Lúcio Roberto da Silva.

Mais informações: (16) 3315-3844.

Gabriela Vilas Boas e Rita Stella, de Ribeirão Preto

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