Arquivo pessoal do parasitologista Samuel Pessoa permite incursão na história brasileira

Acervo de Samuel Barnsley resgata memória e história da ciência brasileira ao mesmo tempo em que permite pensar a história do País

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O médico e sua mulher, Jovina Pessoa (1897-1988). Jovina atuou de forma engajada em causas sociais e, assim como o marido, foi militante comunista – Foto: Acervo Samuel Barnsley Pessoa

Organizado pelo Centro de Apoio à Pesquisa em História Sérgio Buarque de Holanda (CAPH) da USP, com o apoio da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz), o arquivo pessoal do parasitologista Samuel Barnsley Pessoa está disponível para consulta on-line. O conjunto inclui fotografias, correspondências, diplomas, artigos, resenhas, matérias de jornais, entre outros documentos.

Um dos mais destacados parasitologistas do Brasil até meados da década de 1970, Pessoa é autor de um manual que se converteu em referência obrigatória na bibliografia dos cursos médicos no País. Catedrático de Parasitologia Médica da Faculdade de Medicina da USP entre 1931 e 1955, ele ensinou, escreveu e disseminou o que se chama hoje de “determinantes sociais da saúde”. Nascido em 1898, o cientista faleceu há 40 anos, em 1976.

Presenças e ausências

“A pesquisa nos arquivos pessoais é uma forma de se conhecer o seu produtor”, afirmou a pesquisadora da COC Aline Lopes Lacerda, que atuou no projeto de organização do acervo. Ela acrescentou que o inventário busca ligar os documentos diretamente aos acontecimentos da vida de seu produtor, o que permite uma incursão por um período da história brasileira no século 20. Ela participou de seminário sobre a trajetória de Samuel Pessoa, organizado pelo CAPH e pela COC, em setembro, em São Paulo.

Segundo José Francisco Guelfi, doutorando em História Social pela USP, ao abrir as caixas de papelão contendo o acervo recebido, os profissionais envolvidos na organização do arquivo se depararam com três “camadas”. A primeira, trazia documentos do próprio Samuel Pessoa. Outra parte era relativa ao material reunido após a morte dele e de sua mulher, Jovina Pessoa. A terceira camada incluía materiais de Dulce Helena Alvarez Pessoa Ramos, filha do casal, que também tratou de organizar o arquivo.

“Optamos por (fazer) um inventário que se baseasse na cronologia da vida do titular”, declarou Guelfi. “Dependendo do grau de minúcia da pesquisa da vida (do titular), registram-se ausências nessa cronologia, o que mostra que o arquivo nunca é completo. Às vezes não sobrou registro ou rastro de um determinado evento.”

Para o professor Miguel Soares Palmeira, do Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, arquivos pessoais têm o potencial de alterar os modos rotineiros de representação da atividade intelectual ao permitir que elas sejam vistas como um processo, para além do discurso normativo que as entrevistas tendem a esconder. “Os cientistas se pronunciam sobre seu trabalho com uma linguagem ajustada às expectativas do que deva ser o discurso científico”, explicou.

O diretor da COC, Paulo Elian, saudou a parceria entre a instituição e a USP para a organização do acervo de Samuel Pessoa e ressaltou a importância da memória e da história da ciência para se pensar a história do Brasil. “Tirar do âmbito privado um arquivo e torná-lo um bem público não é algo trivial”, declarou.

Da Assessoria de Imprensa da Fiocruz

Mais informações:  e-mail caph@usp.br

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