Projeto piloto controla gestão de resíduos no interior paulista

Matão (SP) foi o primeiro município a testar sistema que organiza quantidade, origem e destino de material descartado

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Uma parceria entre a USP, a cooperativa Reenvolta e a Prefeitura de Matão (SP) trouxe resultados muito interessantes para o meio ambiente. E o trabalho está apenas começando.

Sob a tutela do professor Francisco Louzada Neto, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP em São Carlos e coordenador de transferência tecnológica do Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI), pesquisadores desenvolveram um sistema de gerenciamento de resíduos sólidos que pode ajudar – e muito – no controle que os municípios têm sobre os materiais que são descartados.

De acordo com a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), em 2015, o Estado de São Paulo gerou mais de 62 mil toneladas de resíduos sólidos por dia – uma média de 1,4 kg por habitante todos os dias. Ainda segundo o levantamento, o Brasil descarta quase 200 mil toneladas de material por dia.

“A gestão de resíduos precisa da tecnologia da informática, da computação. A variedade e a quantidade de resíduos são enormes, e, para tratarmos volumes enormes de informações qualitativas e quantitativas, nos servimos dessas áreas, e a USP é um centro de excelência fabuloso”, pontua Paulo Mancini, coordenador administrativo da Reenvolta. A cooperativa reúne profissionais da área socioambiental e serviu como ponte entre os pesquisadores da USP e a Prefeitura de Matão.

O sistema recebeu o nome de Sisgeres – sigla para Sistema de Gestão de Resíduos Sólidos. O funcionamento é bem simples. A cada despejo de resíduo, o usuário registra no programa a data do descarte, a quantidade e o tipo de material descartado e a origem e o destino dos resíduos. A partir disso, o Sisgeres gera tabelas e gráficos que facilitam o entendimento do processo de descarte no prazo de tempo que o usuário quiser.

“Aqui em Matão, em todo fim de mês, nós analisamos a quantidade e os tipos de resíduos gerados. Esse convênio teve início em março de 2016 e, mesmo sendo recente, já nos permite observar que, em alguns meses, temos uma produção maior de resíduos e quais são os tipos mais recorrentes. Nosso objetivo, com esses dados, é determinar os melhores momentos para a criação de campanhas de redução, de reutilização e de reciclagem. Com isso, é possível diminuir a quantidade de resíduos que vai para o aterro sanitário e, consequentemente, aumentar a vida útil desse aterro”, explica Michela Adriane Alves, ex-diretora da Divisão de Coleta de Lixo do Departamento de Meio Ambiente de Matão.

A ex-diretora do departamento, Maria Mellintani, também comemora a utilização do sistema. “Nós ficamos muito contentes com a escolha do nosso município para o desenvolvimento do projeto piloto. Nós sabemos da importância desse mecanismo, de uma forma geral, para todos os municípios, porque a problemática dos resíduos é bastante grande”, comenta.

Ajudando a cumprir metas

Problemas com coleta de lixo - Foto: Marcos santos/USP Imagens
Problemas com coleta de lixo – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Em 2010, com a aprovação da Lei 12.305/10, foi instituída a Política Nacional de Resíduos Sólidos, criada para permitir o avanço do Brasil em relação a problemas ambientais, sociais e econômicos que são consequência do tratamento inadequado de resíduos sólidos.

Nesse contexto, o Sisgeres pode ser ainda mais importante. Como o sistema é customizável e de fácil aplicação, pode ser utilizado por qualquer cidade, Estado ou até país. E os pesquisadores estão abertos a novas parcerias. “Nós temos todo o interesse em disponibilizar o sistema para outras cidades. Fizemos na cidade de Matão, como piloto, e verificamos que, de fato, dá certo. Estamos dispostos a disponibilizar para outras cidades utilizarem o sistema”, frisa o professor Louzada.

“Nós vivemos em uma sociedade de enorme desperdício, mas o planeta já não aguenta mais. Nossa esperança é que o Sisgeres seja útil para a sociedade e se transforme em um produto que a gente possa colocar nos mais diferentes empreendimentos possíveis, sejam eles empresas privadas, públicas, governos estaduais ou municipais”, reforça Mancini.

Sobre o CeMEAI

Com sede no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, o CeMEAI é um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cedip) financiados pela Fapesp.

O CeMEAI é estruturado para promover o uso de ciências matemáticas como um recurso industrial em quatro áreas básicas: Otimização Aplicada e Pesquisa Operacional, Mecânica de Fluidos Computacional, Modelagem de Risco, Inteligência Computacional e Engenharia de Software.

Além do ICMC, o Instituto de Matemática e Estatística (IME) da USP, o Centro de Ciências Exatas e de Tecnologia (CCET) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica (IMECC) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (Ibilce) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), a Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT) da Unesp e o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) compõem o CeMEAI como instituições associadas.

Leonardo Zacarin / Assessoria de Comunicação do CeMEAI

Mais informações: (16) 3373-6609, e-mail contatocemeai@icmc.usp.br,

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