Impressão 3D é opção para minimizar resíduo de gesso na indústria cerâmica

Impressora produz peças cerâmicas sem necessidade de moldes de gesso para dar forma aos objetos

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Foto: Divulgação/IEE-USP
Foto: Divulgação/IEE

Nas indústrias de objetos cerâmicos, o gesso é o principal insumo utilizado na conformação das peças produzidas, em especial na elaboração de moldes. Após a produção, o resíduo de gesso não tem uma destinação específica, podendo ser descartado em aterros, o que é proibido por lei. Para minimizar o uso de gesso, pesquisa do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da USP propõe como alternativa o uso de impressoras tridimensionais, que produzem as peças por deposição de material em camadas, dispensando o emprego dos moldes.

Divulgação/IEE-USP
Divulgação/IEE

De acordo com o pesquisador Marcelo Ambrósio, autor do estudo, apenas no polo industrial de Campo Largo, no Paraná, são descartadas aproximadamente 70 toneladas mensais de resíduos de gesso, provenientes dos moldes que dão forma aos objetos. “Ele é empregado em todas as indústrias do Arranjo Produtivo Local (APL) e é utilizado em diversos processos produtivos, como os de colagem, torneamento e prensagem”, afirma.

Durante as entrevistas realizadas para a pesquisa, as ações para a destinação do gesso foram mencionadas de maneira superficial. “Algumas indústrias alegam que parte do residual de gesso é reaproveitado na indústria de cimento”, ressalta Ambrósio. “Entretanto, a maioria das indústrias mencionam a disposição em aterros como a principal forma de descarte, o que é proibido pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), definida pela lei 12.305, de 2010”.

Protótipos impressos

A pesquisa projetou e produziu protótipos impressos diretamente em cerâmica. “Com base nos preceitos da PNRS, a ideia foi propor uma alternativa de redução do uso de gesso na indústria cerâmica, uma vez que o processo de impressão 3D não utiliza este insumo em seu processo de conformação”, diz o pesquisador.

Foto: Divulgação/IEE-USP
Foto: Divulgação/IEE-USP

Ambrósio explica que existem diferentes tipos de impressão tridimensional. “Em linhas gerais desenvolve-se um modelo tridimensional em algum programa gráfico de computador, e a partir desse modelo o processamento da impressora fatia o desenho em camadas que serão impressas por deposição de material”. Existem diversos insumos para a produção dos modelos impressos, como por exemplo, os polímeros, os metálicos e os cerâmicos.

Para o caso dos cerâmicos existe um processo complementar de sinterização (queima), que confere maior resistência às peças impressas.

Ao contrário do gesso aplicado na construção civil, o gesso usado na indústria cerâmica não possui regulamentação específica. “Dessa forma o seu descarte está submetido às previsões da PNRS, enquadrado como resíduo sólido industrial”, afirma o pesquisador. Os resultados do estudo são descritos em dissertação de mestrado orientada pela professora Maria Cecilia Loschiavo dos Santos, apresentada em novembro do ano passado.

De acordo com Ambrósio, a dependência das indústrias, no que diz respeito ao uso do gesso não será sanada pela implementação de uma única solução. “É possível afirmar que o uso da impressão 3D no atual estágio seria importante fator para minimização do uso deste recurso”, destaca. “Combinada a outras ações, como a diversificação dos materiais para a produção de moldes e até mesmo os processos atuais de reciclagem de gesso, pode-se é imaginar um cenário menos agressivo e predatório para o setor, no que tange à produção desse resíduo”.

Mais informações: email marcelo.ambrosio@ifpr.edu.br, com Marcelo Ambrósio

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