Centro de Terapia Celular promove o avanço na produção de células-tronco “in vitro”

As Terapias Celulares para o tratamento de doenças deixaram o campo das promessas e hoje desenvolvem uma intensa atividade nos

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Células estaminais embrionárias humanas - Imagem: Nissim Benvenisty via Wikimedia Commons
Células estaminais embrionárias humanas – Imagem: Nissim Benvenisty via Wikimedia Commons

As Terapias Celulares para o tratamento de doenças deixaram o campo das promessas e hoje desenvolvem uma intensa atividade nos laboratórios. Porém, um dos grandes desafios da área é a obtenção em larga escala da principal matéria-prima, as células-tronco.

O trabalho da pesquisadora Amanda Mizukami, no Centro de Terapia Celular (CTC) da USP, é possibilitar com que uma variedade destas células, chamadas de células mesenquimais estromais (MSCs), sejam produzidas in vitro (fora dos seres vivos), com qualidade e eficiência.

As células nervosas, um exemplo de um tipo de célula após a diferenciação Imagem: Nissim Benvenisty via Wikimedia Commons
As células nervosas, um exemplo de um tipo de célula após a diferenciação. Imagem: Nissim Benvenisty via Wikimedia Commons

As MSCs são células-tronco multipotentes que podem se diferenciar em diversos tipos celulares. Uma vez administradas por via intravenosa, elas são capazes de migrar para o tecido danificado promovendo a integração, formação de novos vasos e uma resposta anti-inflamatória. Essas células são encontradas em diversos locais do nosso corpo, sendo a medula óssea a principal fonte.

Segundo a cientista, a quantidade de MSCs nos tecidos de origem é muito baixa, tornando essencial a expansão in vitro. “Embora a maioria dos ensaios clínicos ainda esteja no início, os dados apontam para a necessidade de elevadas doses de células para uma melhor eficiência terapêutica”, destaca Amanda.

Biorreatores como alternativa

Os biorreatores são a alternativa para superar essas limitações. O sistema permite o monitoramento e controle das condições de cultivo necessárias para uma expansão eficiente e reprodutível. De acordo com a pesquisadora, a principal vantagem de expandir células em biorreatores é a garantia da segurança, pois o cultivo é realizado em sistema fechado, minimizando a possibilidade de contaminação.

“Em um único sistema podem ser produzidas muito mais células que no sistema de cultivo tradicional. Vários tipos de biorreatores têm sido utilizados para a expansão de MSCs e cada um tem características específicas que devem ser avaliadas a fim de selecionar o que mais atende às necessidades de cada aplicação”, explica a pesquisadora.

Biorreator - Foto: CTC
Biorreator – Foto: CTC

Outro fator importante é a análise do custo de todo o bioprocesso. O alto investimento é um dos principais obstáculos para a comercialização dos produtos baseados em terapia celular, devido à complexidade, alta sensibilidade, condições de manufatura e aos materiais de consumo exigidos. Por isso, acessar as despesas do processo é essencial para a viabilidade econômica da iniciativa.

O estudo foi tema da tese de doutorado Expansão in vitro de células estromais mesenquimais e caracterização do secretoma: aplicações terapêuticas e biotecnológicas, que contou com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), da Universidade de Lisboa (Portugal) e University College London (Inglaterra).

Esta nova abordagem representa um passo fundamental para o desenvolvimento de um bioprocesso de produção eficiente e seguro, compatível com as exigências das agências regulatórias para produtos baseados em células e com custo-efetivo.

O Centro de Terapia Celular (CTC) é um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids) que têm apoio da Fapesp. É sediado na Fundação Hemocentro, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP) da USP.

 

Eduardo Loria Vidal, do CTC

Mais informações:  (16) 2101-9350, email ctcusp@gmail.com

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