As grandes contribuições do Brasil para a ciência

Em três volumes e quase 1.000 páginas, a coleção Humanistas e Cientistas do Brasil traz a trajetória de 63 personalidades marcantes da história da ciência do País

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Ao longo do século 20, o Brasil deu grandes contribuições para a ciência, a tecnologia e a cultura. É o que se depreende da leitura dos três volumes da coleção Humanistas e Cientistas do Brasil, que a Editora da USP (Edusp) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) lançaram no dia 11 de abril, no Centro Universitário Maria Antonia (Ceuma) da USP.

Os professores Eduardo Krieger, Nícia Magalhães, Helena Nader e Hernan Chaimovich no lançamento do livro publicado pela Edusp e pela SBPC, no Centro Universitário Maria Antonia, no dia 11 de abril – Divulgação/SBPC
Os professores Eduardo Krieger, Nícia Magalhães, Helena Nader e Hernan Chaimovich no lançamento
do livro publicado pela Edusp e pela SBPC, no Centro Universitário Maria Antonia, no dia 11 de abril – Foto: Divulgação/SBPC

Com um total de 996 páginas, os três volumes da coleção contam a trajetória de 63 cientistas e intelectuais brasileiros. A coordenação do projeto – concebido em 2007 – foi do professor Luiz Edmundo de Magalhães, ex-diretor do Instituto de Biociências (IB) da USP, que morreu em maio de 2012. “O propósito da obra é mostrar ao Brasil alguns de seus principais cientistas, seu pensamento e suas contribuições à ciência e ao País”, disse a presidente da SBPC, Helena Nader, durante o evento de lançamento da coleção, que teve a presença da viúva de Magalhães, a professora e ambientalista Nícia Wendel de Magalhães, que continuou o trabalho de Magalhães após sua morte.

Histórias

A coleção está dividida de acordo com as três grandes áreas do conhecimento. Um volume é intitulado Ciências da Vida e destaca 27 cientistas, entre eles Euryclides de Jesus Zerbini (1912-1993), médico responsável pelo primeiro transplante de coração do Brasil, em 1968, Oswaldo Frota Pessoa (1917-2010), o pioneiro da genética humana no Brasil, e Ricardo Enzo Brentani (1937-2011), precursor da medicina por DNA no País.

O geógrafo Aziz Ab'Sáber: um dos grandes cientistas do Brasil – Franciso Emolo:Arquivo Jornal da USP
O geógrafo Aziz Ab’Sáber: um dos grandes cientistas do Brasil – Foto: Franciso Emolo/Arquivo Jornal da USP

O volume Ciências Exatas traz a história de 15 cientistas, como Abrahão de Moraes (1917-1970), fundador da moderna astronomia brasileira, Aldo Rebouças (1937-2011), um dos maiores especialistas em recursos hídricos do Brasil, e Paschoal Senise (1917-2011), mestre da química.

Outros 21 cientistas brasileiros são o tema do volume Ciências Humanas, que destaca, entre outros, o educador Anísio Teixeira (1900-1971), o antropólogo Darcy Ribeiro (1922-1997), o historiador Sérgio Buarque de Holanda (1902-1982) e o geógrafo Aziz Ab’Sáber (1924-2012).

Cada artigo publicado na coleção é de autoria de pesquisadores que conviveram com o cientista retratado. Por exemplo, o texto que aborda a vida e a obra de Euryclides Zerbini traz a assinatura dos professores da Faculdade de Medicina da USP Adib Jatene (1929-2014) e Noedir Stolf. “O professor Euryclides de Jesus Zerbini é, sem dúvida, um dos maiores vultos da medicina brasileira”, escrevem Jatene e Stolf. “Suas contribuições para a cirurgia torácica, e especialmente a cirurgia cardiovascular, bem como a formação de grande número de cirurgiões, ao lado do estímulo à produção nacional de insumos para cirurgia cardíaca, além de criador de nossa maior instituição acadêmica na área – o Instituto do Coração (Incor) –, garantem-lhe lugar definitivo na história da medicina brasileira.”

Luiz Edmundo de Magalhães – Jorge Maruta:Arquivo Jornal da USP
Luiz Edmundo de Magalhães – Foto: Jorge Maruta/Arquivo Jornal da USP

Quem escreve sobre Abrahão de Moraes é o Professor Emérito do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP Sylvio Ferraz Mello. “Da sua luta incansável resultou a transformação do IAG em unidade de ensino e pesquisa da USP”, escreve Mello. “O professor Abrahão de Moraes dedicou-se a elaborar uma teoria do movimento dos satélites artificiais da Terra”, escreve Mello, citando uma das contribuições do cientista. “Sua teoria, publicada pela Academia Brasileira de Ciências, contém o cálculo das principais perturbações orbitais devidas ao achatamento da Terra.”

Aziz Ab’Sáber não foi apenas um grande intérprete da complexa natureza brasileira – incluindo o Nordeste seco, a Amazônia, o Cerrado e o planalto das araucárias –, mas também um leitor atento dos problemas socioeconômicos do Brasil. Assim o ex-reitor da USP Jacques Marcovitch, autor do artigo sobre Ab’Sáber, caracteriza o geógrafo. “A ciência, para ele, sempre foi o que deve ser para os seus grandes praticantes: exercício permanente de busca, descoberta e formação de continuadores.”

A ciência, para ele, sempre foi o que deve ser para os seus grandes praticantes: exercício permanente de busca, descoberta e formação de continuadores

Outros cientistas retratados na coleção recém-lançada são Ernesto Paterniani, Mário Meneghini, Paulo Sawaya, Samuel Pessoa (ciências da vida), Omar Catunda, Sérgio Porto (exatas), Aroldo de Azevedo, Bento Prado Jr., Fernando de Azevedo e Lúcio Costa (humanas).

O leitor notará a ausência de cientistas como Mário Schenberg (1914-1990) e César Lattes (1924-2005). Segundo a professora Nícia Magalhães, eles não fazem parte da coleção porque integram outro volume lançado pela SBPC para homenagear os cientistas brasileiros, intitulado Cientistas do Brasil – Depoimentos, lançado em 1998.

 

Coleção foi concebida em 2007

A coleção Humanistas e Cientistas do Brasil é resultado de um projeto idealizado pelo professor Luiz Edmundo de Magalhães e apresentado em 2007 à Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, segundo informa reportagem do Jornal da Ciência, de autoria de Vivian Costa. O objetivo era reunir as biografias de renomados cientistas brasileiros, que já não estavam mais vivos, das áreas de ciências humanas, ciências exatas e ciências da vida. Em 2010, a SBPC criou uma comissão para concretizar a ideia.

Luiz Edmundo de Magalhães foi diretor do Instituto de Biociências (IB) da USP entre 1985 e 1988, reitor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) de 1975 a 1979 e Doutor Honoris Causa dessa instituição, informa a reportagem. “Especialista em Genética Animal e Genética de Populações, foi o responsável pela produção do primeiro camundongo transgênico no Brasil. Nos últimos anos de vida, dedicou-se a trabalhos sobre ética animal. Magalhães foi ainda conselheiro e secretário geral da SBPC de 1969 a 1991.”

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