Os pastos no Brasil sofrem mais com a estiagem do que com o calor

Estudo simula cenário previsto pela ONU para o final do século e mostra os efeitos no solo

 19/10/2020 - Publicado há 1 ano  Atualizado: 20/10/2020 as 17:38
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A seca causa mais impacto nos solos de pastagens com forrageiras do que o aumento de temperatura em dois graus Celsius. Essa é a conclusão a que chegou estudo feito pesquisadores da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP. Eles simularam um cenário semelhante à projeção feita pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da Organização das Nações Unidas (ONU), para o fim deste século, ou seja, com elevação de temperatura e escassez de água.

Os pesquisadores decidiram estudar e entender qual o impacto que a falta de água e a elevação de temperatura provocam em fungos existentes em solos plantados com forrageiras, que é a cultura mais usada para pastagem no Brasil. São 160 milhões de hectares destinados a pastagens.

O pesquisador Tássio Brito de Oliveira, orientado pela professora Maria de Lourdes Teixeira de Moraes Polizeli, responsável pelo Laboratório de Microbiologia e Biologia Celular da FFCLRP, coordenou dois estudos recentes nesta área que ainda sente falta de mais pesquisas. A orientadora explica que os estudos serviram para mostrar que a elevação da temperatura altera a composição das espécies de fungos encontrados e, num segundo momento, o estresse hídrico leva a um aumento da diversidade de fungos e incidência de plantas doentes. 

A pesquisa foi feita em uma área de campo aberto no campus da USP em Ribeirão Preto, construída com apoio da Fapesp no âmbito do Programa de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais. Os resultados foram descritos em dois artigos, o primeiro publicado na revista Molecular Ecology, em abril, e o segundo, na Soil Biology and Biochemistry, em junho.

Leia a reportagem completa na Agência Fapesp

Ouça no player acima a entrevista com Tássio Brito de Oliveira e a professora Maria de Lourdes Teixeira de Moraes Polizeli para o Jornal da USP no Ar, Edição Regional.


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