Curso ensina formas práticas de consumir comida saudável

A intenção é apresentar, de maneira fácil e acessível, dicas para tornar a alimentação mais natural e saudável

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Foto: Divulgação/ Panelinha.com.br
Foto: Divulgação/ Panelinha.com.br

O professor Carlos Augusto Monteiro, do Departamento de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, está desenvolvendo, em parceria com a apresentadora Rita Lobo, um curso on-line sobre alimentação saudável, o Comida de Verdade. Monteiro participou ativamente da formulação do Guia Alimentar para a População Brasileira, lançado em 2014 pelo Ministério da Saúde e, como base para a elaboração do Guia, utilizou um livro de Rita, que atualmente apresenta o programa Cozinha Prática no canal GNT. Desde então eles vêm desenvolvendo diversos projetos em conjunto.

A intenção do curso é não só conscientizar a população sobre a importância de consumir alimentos mais naturais, mas também oferecer sugestões de como deixar seu padrão alimentar mais saudável de maneira simples e acessível. Serão dez aulas no total e todas serão disponibilizadas gratuitamente no canal da editora de Rita Lobo no YouTube, o Panelinha. É possível acessar os vídeos também através do blog www.panelinha.ig.com.br.

Segundo dados do Ministério da Saúde disponíveis no Guia Alimentar, mais de metade dos adultos — e pelo menos um terço das crianças — está acima do peso no Brasil. Justamente num momento em que o País luta para se livrar da desnutrição e combater o aumento da obesidade, um manual de reeducação alimentar parece providencial.

Publicação "Guia Alimentar para a População Brasileira"
Publicação “Guia Alimentar para a População Brasileira”, do Ministério da Saúde

Monteiro afirma que a desnutrição vem caindo significativamente desde meados da década de 1990, com aceleração a partir de 2003, por conta, em grande parte, dos programas de distribuição de renda do governo. Ele aponta que o principal motivo para essa melhoria foi a diminuição da pobreza absoluta no Brasil: “A desnutrição responde diretamente à pobreza, principalmente em crianças”. Esta correlação, segundo o professor, se deve não só à qualidade da alimentação, mas também à capacidade que as crianças têm de se defender de doenças infecciosas, que geralmente são recorrentes e duradouras nos espectros mais basais da população. Ele explica que a diarreia, por exemplo, é uma das maiores causadoras de desnutrição infantil no Brasil.

De acordo com o professor, o aumento da renda familiar e a consequente otimização do acesso à alimentação vieram acompanhados de programas de extensão de serviços básicos de saúde, como a distribuição de água. “O saneamento está distante de ser ideal no Brasil, mas o abastecimento de água potável, que é crucial para evitar diarreias em crianças, foi praticamente universalizado nos últimos anos”, comenta.

Outro fator importante para a derrocada da desnutrição foi, segundo Monteiro, o aumento do nível de escolaridade das mães, que vem subindo paulatinamente desde a década de 1990. No último inquérito realizado pelo Ministério da Saúde foram registrados 6% de crianças desnutridas no Brasil, contra os mais de 30% registrados nos períodos mais críticos do século passado.

Foto: Rita Lobo e Carlos Augusto Monteiro/ Divulgação
Foto: Rita Lobo e Carlos Augusto Monteiro/ Divulgação

Com a queda da expressividade da desnutrição infantil no País, Monteiro afirma que a principal preocupação passou a ser o aumento surpreendente da obesidade. “A obesidade se materializa, basicamente, quando uma pessoa consome mais energia do que gasta. Por não saber como lidar com o excesso de energia, o corpo a transforma em gordura”, afirma o professor. Ele comenta que, diferentemente da desnutrição, o sobrepeso se origina na inclusão de alguns grupos no mercado. Isto não diz respeito somente ao acesso a alimentos industrializados, mas ao fato de os indivíduos estarem sujeitos à publicidade e aos padrões de alimentação controlados pela indústria.

O problema, segundo Monteiro, transcende a quantidade de alimento ingerido: o agravante é a qualidade. Ele acredita que os brasileiros estão se afastando das tradições nacionais — baseadas em alimentos in natura ou pouco processados — e se aproximando do padrão inglês e americano, alicerçados quase completamente em produtos ultraprocessados.

Este último termo, criado pelo grupo de pesquisa do professor Carlos Monteiro na USP (Nupens), caracteriza os produtos que passam por diversos processos químicos antes de chegar à mesa. São aqueles alimentos cujos ingredientes impressos na embalagem são indecifráveis e desconhecidos. Pães, biscoitos, bolos, sorvetes, chocolates, barras de cereal, refrigerantes, requeijão, margarina, pratos congelados e enlatados são alguns dos exemplos da longa lista de ultraprocessados.

Monteiro aponta que a questão mais preocupante é que esses alimentos são naturalmente obesogênicos. Ou seja, “têm características intrínsecas que induzem o consumo excessivo, quem os ingere tem um superconsumo de calorias”, completa. A consequência deste hábito é clara: o desbalanceamento energético induz ao acúmulo de gordura e ao desenvolvimento da obesidade.

 

Rádio USP
O professor Carlos Monteiro, da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, e a apresentadora Rita Lobo, que atualmente conduz o programa Cozinha Prática no canal GNT, estão desenvolvendo um curso sobre alimentação saudável chamado Comida de Verdade. O curso, disponível gratuitamente no YouTube, ressalta a importância de uma alimentação com base em alimentos in natura e sugere mudanças simples para transformar a dieta. A Rádio USP conversou com o professor Monteiro sobre o assunto, acompanhe.

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