Seria o “Homo sapiens” mais antigo do que se pensava?

O professor Walter Neves explica a polêmica produzida a partir de artigos científicos publicados na revista “Nature”

Por - Editorias: Atualidades, Rádio USP
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Teria o Homo sapiens surgido na Terra 100 mil anos antes do que se pensava? Na última quinta-feira (8), a renomada revista científica Nature trouxe dois artigos sobre descobertas na evolução que remontam à história do surgimento do homem moderno. Novas análises de um fóssil encontrado no Marrocos demonstram que o Homo sapiens surgiu pelo menos 100 mil anos antes do que era pensado desde 1990. A nova descoberta faz com que evidências encontradas em sítios arqueológicos da Etiópia – que sugeriam que o homem moderno havia surgido há cerca de 200 mil anos – sejam revistas e prolongadas para 300 mil anos atrás.

À direita, a mandíbula que demonstrou o surgimento do Homo sapiens 100 mil anos antes do que era esperado. À esquerda, crânio do Homo sapiens de Jebel remontado com o auxílio de ferramentas 3D – Foto: Revista Nature

Em entrevista à Rádio USP, o professor Walter Neves, coordenador do Laboratório de Estudos Evolutivos Humanos do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo, garante que não estamos diante de nenhuma revolução da história humana. Segundo ele, esses fósseis encontrados no Marrocos são conhecidos desde os anos 1960, mas careciam de uma datação mais exata. Não se podia afirmar a que espécies pertenciam, pois apresentavam características do Homo sapiens mas também as de uma espécie anterior, o Homo heidelbergensis. O cientista explica que os crânios de Homo sapiens mais antigos datam de 200 mil anos atrás e que foram encontrados na Etiópia. Faltava, no entanto, a ligação entre os Homo heidelbergensis  e os Homo sapiens. De modo que os fósseis encontrados agora no Marrocos, de cerca de 350 mil anos, se encaixam na transição evolutiva entre os heidelbergensis e os sapiens.

“Então, a gente pode dizer que esses fósseis estão no lugar certo, com a morfologia certa e com a datação certa para servir de intermediários entre aquelas duas espécies”, diz o professor. Trata-se de um grande avanço, mas não se pode confundir essa descoberta a ponto de dizer que esses fósseis são os primeiros representantes da nossa espécie. “É uma descoberta de grande relevância, que está sendo vendida na mídia como se o Homo sapiens datasse de 350 mil anos, mas isso não é verdade.”

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