Saúde no Brasil é tema de mais um “Diálogos na USP” especial

Professores da USP debateram as deficiências e as virtudes do SUS, entre outros temas correlacionados

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Foto: EBC/Agência Brasil

Este ano, o SUS – o Sistema Único de Saúde – completa 30 anos. Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), trata-se do maior sistema gratuito e universal do mundo. Para se ter uma ideia, sete em cada dez brasileiros dependem exclusivamente do sistema público de saúde, que garante aos brasileiros todas as vacinas recomendadas pela OMS. Também é no SUS que funciona o maior modelo público de transplantes de órgãos do mundo, com mais de 90% dessas cirurgias financiadas pelo SUS.

Mas há problemas: de acordo com especialistas, apesar de ser referência na atenção primária, o SUS nunca foi adequadamente financiado, o que acaba por limitar sua expansão e melhoria. Para se ter uma ideia, por ano a União, estados e municípios investem perto de R$ 240 bilhões no setor de saúde, para atender 150 milhões de brasileiros. Parece muito, mas não é. A taxa de gasto público com saúde no Brasil é um pouco mais da metade da média mundial: 6,8% contra 11,7%, segundo dados da OMS. E a maior parte dos gastos do brasileiro com saúde, 53%, vai para pagamentos de planos de saúde, consultas particulares e compra de remédios.

Antônio Carlos Morato, Giovanni Guido Cerri, Oswaldo Yoshimi Tanaka e Marcello Rollemberg – Foto: Marcos Santos / USP Imagens

Assim, o que o próximo governo, a ser eleito no final do ano, deve fazer para melhorar esse quadro? O que o Brasil precisa para ficar mais saudável? Foi exatamente com a intenção de responder a essas e outras perguntas que o Diálogos na USP, da Rádio USP, reuniu três profissionais especializados na área de saúde: o professor Giovanni Guido Cerri, ex-diretor da Faculdade de Medicina da USP, ex-secretário de Saúde do Estado de São Paulo e vice-presidente do Instituto Coalizão Saúde; o professor Oswaldo Tanaka, diretor da Faculdade de Saúde Pública da USP; e Antônio Carlos Morato, professor do Departamento de Direito Civil, com especialização em Direito do Consumidor, da Faculdade de Direito da USP. A apresentação do Diálogos na USP, dessa vez, foi compartilhada entre os jornalistas Marcello Rollemberg e Luiz Roberto Serrano, da Superintendência de Comunicação Social.

Foto: Marcos Santos / USP Imagens

Para o professor Cerri, o grande problema é que, em momentos de crise econômica como a que o Brasil ainda vive, a saúde é a área que mais sofre. “A saúde no Brasil já carece de recursos. E numa crise econômica como a nossa, com a retração do PIB de quase 10%, passamos a viver uma economia de guerra na saúde. Entramos em colapso”, afirmou ele. Mas há soluções? Segundo Cerri, sim. “A saída é o uso racional dos recursos da saúde, o uso de mais tecnologia, voltar a saúde menos para o lado assistencial, mas se preocupar com a prevenção de doenças. Em suma, cuidar, principalmente, que a nossa população não fique doente.”

Foto: Marcos Santos / USP Imagens

Já o professor Tanaka, da Faculdade de Saúde Pública, acredita que o grande problema da saúde no Brasil advém, talvez ironicamente, do grande sucesso do Brasil nessa área. “Nós tivemos um grande sucesso em campanhas de vacinação nos últimos anos. E a minha visão de sucesso se refere também ao fato de que, a partir de 1988, o Sistema Único de Saúde incorporou mais de 100 milhões de pessoas no sistema público, o que não existia antes. Só que, ao trazer mais pessoas para o sistema de saúde, você traz mais problemas – e complicados. Temos hoje problemas tanto na atenção básica quanto nas condições de atendimento, que exigem tecnologias mais complexas. Com uma sobrevida maior da população, surgem também outros problemas, como hipertensão e diabete. Acho que é quase impossível nos prepararmos para isso. Quanto melhor somos, mais pessoas sobrevivem e, assim, ainda mais pessoas vão precisar do serviço de saúde.”

Foto: Marcos Santos / USP Imagens

Nesse contexto de crise econômica, lembrou o advogado e professor Antônio Carlos Morato, existe um problema adicional: as pessoas não têm mais condições de pagar um plano de saúde e acabam migrando para o sistema público. Dessa forma, tanto a saúde privada quanto a saúde pública precisam de atenção. “Trata-se de um contexto de políticas públicas que não visualiza apenas o sistema público de saúde, mas também o controle do sistema privado, já que é dever do Estado fiscalizar a saúde.”

Ao longo de uma hora de programa, temas como os citados acima e outros – como o envelhecimento da população brasileira, a questão da carência de médicos no interior do País, as regras para os planos de saúde e o recrudescimento de doenças como febre amarela e hanseníase – foram abordados e discutidos pelos convidados. Clique no link e ouça na íntegra o Diálogos na USP sobre saúde no Brasil, uma produção do Departamento de Jornalismo da Rádio USP, com trabalhos técnicos a cargo de Marcio Ortiz.

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