São Paulo sem crise hídrica em 2017, diz especialista

Em um passado muito recente, o estado sofreu sérios problemas de abastecimento de água

Por - Editorias: Atualidades, Rádio USP
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Acompanhe a entrevista da jornalista Simone Lemos com o professor José Galizia Tundisi, da Universidade de São Paulo:

 

Reservatório Paiva Castro, em Mairiporã, que faz parte do Sistema Cantareira - Foto: Wikimedia Commons
Reservatório Paiva Castro, em Mairiporã, que faz parte do Sistema Cantareira – Foto: Wikimedia Commons

A chegada do verão, que traz consigo um aumento substancial do consumo de água,  representa a ameaça de uma nova crise de abastecimento, como a que atingiu, de forma bastante grave,  o Estado de São Paulo no biênio 2013/2014. Não se pode duvidar de que sempre existe o temor de que essa situação se repita, o que não parece ser o caso para 2017, na opinião do professor José Galizia Tundisi do Instituto de Estudos Avançados (IEA/USP), especialista em recursos hídricos da Universidade de São Paulo, em entrevista para a Rádio USP.

Segundo ele, as condições climatológicas melhoraram muito a partir da crise de dois anos atrás. Com a recomposição da precipitação, os níveis dos seis reservatórios (Cantareira, Alto Tietê, Guarapiranga, Rio Grande, Alto Cotia e Rio Claro) que abastecem a região metropolitana melhoraram bastante, atingindo níveis próximos aos normais. O aumento da segurança hídrica na região metropolitana da Capital não deve apenas a isso, todavia.

O professor Galizia lembra que, por causa da crise, foram tomadas medidas estruturais e não estruturais bastante efetivas. Como exemplo destas, ele cita a adoção de políticas para incentivo ao reuso da água e as campanhas para evitar o desperdício, endereçadas à população. No campo das medidas estruturais, deve-se  citar a transposição entre bacias, ainda em andamento.Tais ações, aliadas à normalização das condições  climatológicas, contribuíram para uma segurança hídrica mais confortável para o ano de 2017.

Para Galizia, é preciso prosseguir nessa direção,  pois, graças a essas medidas compensatórias, “mesmo no caso de estiagem mais prolongada, teremos reservas suficientes para resistir ao processo de depressão dos volumes”.

Um  outro ponto sobre o qual o especialista chama a atenção refere-se a um problema que considera recorrente que é  a deterioração da qualidade da água dos reservatórios que abastecem a região metropolitana.  Embora essa condição não interfira no que diz respeito ao abastecimento,  o tratamento requerido para garantir a boa qualidade da água que chega à população é muito caro.

É fundamental, de acordo com o professor,  monitorar de forma mais intensiva os reservatórios e, a partir daí, produzir séries históricas que vão apontar quais são as tendências de deterioração da qualidade da água, a fim de que se possa atuar nas fontes de contaminação e de minorar esse problema. “Mais do que o problema da quantidade, o problema da qualidade da água é fundamental, e temos de trabalhar para manter essa qualidade”, diz o professor Galizia Tundisi.

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