Rappers feministas combatem machismo com suas rimas

Luana Hansen é um exemplo de quem luta contra esse e outros preconceitos. Ela afirma : “eu gosto de militar em canções”

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Luana Hansen - Foto: Frida retirada da fan page da MC
Luana Hansen – Foto: Fridas via fan page da MC


Mulher, no topo da estatística

32 Anos, uma pobre vítima
Vivendo num sistema machista e patriarcal
Onde se espancar uma mulher é natural

 

Os versos do rap de Luana Hansen retratam a vida de muitas mulheres no Brasil. Comentando sobre a sua carreira, ela diz “lembro de quando surgiram muitas letras machistas, falando de agressão de mulher, eu fiz ‘Flor de Mulher’, para rebater isso”. E é assim que as rappers têm conquistado seus espaços e debatem o preconceito no seu próprio meio.

A presença de mulheres no rap pode ser cada vez mais notada no Brasil. Elas não estão só cantando, mas também mixando e produzindo músicas, além de participarem de outros campos da cultura hip hop, como o grafite e o break dance. As rappers tratam de assuntos como empoderamento feminino e violência contra a mulher, discutindo o machismo na sociedade.

O processo histórico

Tássia Reis - Foto: Divulgação
Tássia Reis – Foto: Divulgação

O mestrando do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP, Guilherme Botelho, afirma que “a cultura hip hop na periferia foi o maior esforço civilizatório dos últimos 30 anos para o empoderamento do periférico”. Ele comenta que o rap passou a ter um caráter importante para a população, após a sua saída das malhas da indústria fonográfica. Ele parou de ser um “produto comercial, meramente, e ganhou uma outra função além disso, que é poder educar a periferia, levar novas perspectivas,  levar o debate sobre questões étnicas regionais e globais”, comenta.

Botelho ainda explica que existem mulheres produzindo rap, desde as décadas de 80 e 90, mas eram poucas. “A temática nessa época era muito mais pautada nas animações de baile e há o início de um engajamento ligado às questões étnicas-raciais – o empoderamento do ser negro”, complementa, “hoje as mulheres com esse empoderamento feminino contemporâneo, com esse afronte à misoginia mais preciso, têm um discurso mais contundente, muitas vezes, mais com teor de revide do que nos anos 90”.

Uma militância constante

Karol Conka - Foto: Divulgação
Karol Conka – Foto: Divulgação

A rapper Luana Hansen viu o número de mulheres crescer nesse meio. Ela está completando 17 anos de carreira dentro do mundo hip hop e explica como a representatividade das mulheres negras está mudando. “Eu venho de uma época, os anos 80, em que na televisão não tinha representatividade da mulher negra, só tinha a globeleza. E eu não conseguia me ver nisso. Acho que hoje você ver mulheres como Tássia Reis, Karol Conka em uma revista, é o tipo de representatividade que precisa”, explica, ao fazer referência à grandes nomes do rap atualmente.

A luta dessas rappers é no cotidiano. Luana explica: “A gente começa a ocupar os espaços,  a participar de reuniões, como a semana de cultura e hip hop. Então terá uma mina lá”. Em muitos casos, essas mulheres também são mães, ou trabalham com outras coisas e não conseguem participar de todos os eventos. Por isso, o apoio de outras mulheres é muito importante para o movimento.

Luana fala com orgulho  como usa o seu trabalho no combate ao preconceito. “É uma militância constante. Eu faço com amor, meu negócio é música. Eu gosto de militar em canções”, afirma, “enquanto a sociedade não parar de ser racista, misógina, transfóbica, lesbofóbica, eu vou continuar lutando”.

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