Processos infecciosos desencadeiam síndrome de Guillain-Barré

Estudos avançaram, reduzindo a mortalidade e ampliando a taxa de recuperação do paciente, revela especialista

  • 149
  •  
  •  
  •  
  •  

jorusp

Doença neurológica e autoimune, a síndrome de Guillain-Barré tem sido foco de estudo nas últimas décadas e novos métodos têm se apresentado como alternativas de tratamento. O avanço nas pesquisas também resultou na redução da mortalidade causada pela doença, como conta Paulo Eurípedes Marchiori, professor da Faculdade de Medicina da USP. Na década de 1940, cerca de 30% dos pacientes iam a óbito; hoje, esse número gira em torno de 4%.   

A Guillain-Barré costuma ser desencadeada após processos infecciosos, como gripe ou dengue. Marchiori lembra a epidemia de zika vírus no Brasil, que apresentou grande associação com a síndrome. As vacinas também se colocam como fatores desencadeadores da doença. Suas primeiras manifestações são formigamento dos dedos do pé e dificuldade para andar. Os sintomas seguem com fraqueza muscular, perda de reflexo e paralisia de membros e órgãos. As manifestações clínicas, segundo o médico, costumam causar espanto e aflição nos que convivem com os afetados.

Ainda sobre o desenvolvimento da Guillain-Barré, Marchiori diz que a síndrome é autolimitada: o quadro clínico costuma piorar até a quarta semana, quando se segue um período de estabilidade, seguido por outro, de remissão da doença. Em alguns casos, mais raros, a evolução segue até a oitava semana, determinando o caráter crônico da síndrome. Felizmente, 90% dos pacientes apresentam recuperação integral do quadro clínico, revela o médico.

Em relação ao tratamento, o professor conta que são utilizados diferentes métodos, a depender da gravidade do quadro do paciente. Casos mais graves devem receber tratamento em terapia intensiva. A intervenção clínica multidisciplinar conta com assistência ventilatória, cuidados com a nutrição, redução de dor e de risco de trombose, além de acompanhamento fisioterápico e fonoaudiológico, concluiu Marchiori.

Jornal da USP no Ar, uma parceria do Instituto de Estudos Avançados, Faculdade de Medicina e Rádio USP, busca aprofundar temas nacionais e internacionais de maior repercussão e é veiculado de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 9h30, com apresentação de Roxane Ré.

Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93.7, em Ribeirão Preto FM 107.9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular. Você pode ouvir a entrevista completa no player acima.

  • 149
  •  
  •  
  •  
  •  

Textos relacionados