Problema da Cracolândia deve ser atacado em seus múltiplos aspectos

Em entrevista à Rádio USP, o jurista José Gregori emitiu sua opinião a respeito do que considera ser uma solução para a Cracolândia

Por - Editorias: Atualidades, Rádio USP
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A ação policial realizada no dia 21 de maio, na Cracolândia, foi mais uma tentativa da administração municipal para solucionar um problema que parece insolúvel. Pelo menos quatro prefeitos e três governadores criaram ações com o objetivo de reduzir ou extinguir o tráfico de drogas e revitalizar a área da região da Luz, numa iniciativa que teve início lá em 1995, com o então governador Mário Covas, que chegou a criar uma delegacia específica para tratar do problema do crack. De lá para cá, todas as empreitadas deram em nada, apesar das inúmeras apreensões e prisões efetuadas no local, e a despeito da boa ou da má vontade dos envolvidos. A do prefeito João Doria foi apenas mais uma a diluir-se entre as tentativas anteriores.

Foto: Marco Gomes/Flickr-CC

O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Universidade de São Paulo, José Gregori, admite que o problema da Cracolândia é de difícil solução, “porque lida com a natureza humana, tendo que modificar condutas e meios sociais muito adversos e carentes”. Para ele, qualquer intervenção que se faça na região deve levar em conta seus diversos aspectos, quais sejam, de segurança pública, de saúde pública e de ordem social, sem esquecer o aspecto humanitário.

Na opinião dele, cada um desses aspectos deve ser abordado, pois de nada irá adiantar atacar apenas um lado do problema, deixando os demais sem solução. Somente a partir daí será possível pensar numa intervenção que possa obter sucesso. Gregori admite que houve boa vontade e espírito humanitário em experiências anteriores, mas observa, por outro lado, que não foram suficientes para oferecer uma solução definitiva ao drama da Cracolândia, um local onde as pessoas continuam se matando aos poucos e que é “um reflexo das grandes cidades”.

A solução, para Gregori, depende de se entregar o problema a uma pessoa ou a um setor que “realmente esteja disposto a ter uma conduta mais do que funcional, mais do que correta, quase que apostólica”. É uma missão que – reforça ele – deve levar em conta cada um dos seus aspectos, que devem ser abordados individualmente, para somente então fazer-se a necessária intervenção. Qualquer tentativa que não leve em conta essa peculiaridade estará fadada ao fracasso, pois vai representar uma intromissão indevida, geradora de violência e da ampliação do problema em vez de sua solução.

 

 

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