Presença da mulher em cargos de chefia avança em universidades

Entretanto, Renato Janine lembra que, no Brasil, o número de mulheres na política ainda é muito pequeno

No último 8 de março, Dia Internacional da Mulher, a professora Liedi Bernucci foi nomeada nova diretora da Escola Politécnica da USP. É a primeira vez, em mais de 100 anos de criação da unidade, que uma mulher vai exercer esta função. Em sua coluna desta semana, o professor Renato Janine Ribeiro comenta a presença feminina em cargos de chefia em universidades. Ele considera a nomeação da professora Liedi muito positiva.

Janine relembra outras mulheres que exerceram cargo de chefias em universidades e que precisaram de muita energia e coragem para enfrentar preconceitos e dificuldades. E comenta um caso envolvendo Marilena Chauí, professora emérita da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP: grávida do primeiro filho, Marilena teve de ouvir de um outro professor mais velho da unidade: “Dona Marilena, a senhora, tendo filhos, vai ser difícil dar aulas”.

“Essa ocupação desse espaço pelas mulheres é relativamente recente e, ao mesmo tempo, quando começa a acontecer, vem com muita energia. Hoje é grande o número de mulheres que são chefes de departamento, diretoras de unidades, pró-reitoras e reitoras em universidades de todo o Brasil. É grande não a ponto de ser metade, mas vai chegar a ser metade”, diz o docente.

Já no exercício de cargos políticos, a situação é lamentável. Janine comenta que teve acesso a um relatório em que o Brasil atinge o 152º lugar no mundo na ocupação de cargos eletivos por mulheres. Dos 513 deputados federais, apenas 54 (10,5%) são mulheres. “Países mais pobres que o nosso apresentam um desempenho muito superior ao nosso”, conta Janine. Para o docente, é preciso que a representação em cargos políticos de homens e mulheres seja proporcional àquela da população em geral, assim como a participação de negros e índios.

Ouça acima o áudio na íntegra.

Textos relacionados