Os Super-heróis e o fim das ideologias na análise de Guilherme Wisnik

Para Guilherme Wisnik, o fim da Guerra Fria representou a morte de um modelo bipolar de duas sociedades ideologicamente antagônicas

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Foto: JD Hancock/Visualhunt
Foto: JD Hancock/Visualhunt

Um segmento importante hoje, na cultura de entretenimento, é a série de filmes de super-heróis, basicamente voltados para um público infantojuvenil. Trata-se de um fenômeno recente, sobre o qual o colunista Guilherme Wisnik chama a atenção, não sem certa perplexidade, ao notar que, nos novos filmes envolvendo esses personagens de revistas em quadrinhos, não existe a figura dos vilões – as batalhas se dão entre os próprios super-heróis.

Assim, não representa surpresa que, no recente “Guerra Civil”, o Capitão América se oponha ao Homem de Ferro, nem que, em “Batman versus Super-Homem”, ambos os personagens títulos se digladiem. Para Wisnik, isso é sintomático de um mundo pós Guerra Fria, no qual não existe mais a a divisão do mundo entre capitalistas, representados pelos EUA, e comunistas, na figura maior da ex-URSS. De acordo com ele, demorou para que o fim dessa polarização viesse a se refletir na cultura do entretenimento.

Com o fim da Guerra Fria e a queda do muro de Berlim, criou-se um vácuo que necessita ser preenchido por um novo imaginário, mais de acordo com um mundo globalizado. Se antes o inimigo do capitalista era o comunista, e vice-versa, agora já não existe um inimigo com contornos definidos.

De acordo com Wisnik, ele está camuflado, criando a sensação de que pode irromper a qualquer momento e em qualquer lugar. Houve, diz ele, “o deslocamento do lugar do inimigo para algo difuso, o que acaba tendo reflexo nos filmes de super-heróis”.

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