OMS lança guia contra zika em gestantes

Equipe da USP em Ribeirão Preto participa da confecção de guia da OMS para manejo da Zika em gestantes

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Foto: Andre Borges/Fotos Públicas
Foto: Andre Borges/Fotos Públicas

O mundo se une novamente contra o mosquito Aedes aegypti. E dessa vez a preocupação maior é com as gestantes expostas ao Zika vírus. No rastro da epidemia que já conta quase 1.300 casos de microcefalia diagnosticados somente no Brasil, a OMS acaba de publicar um guia com orientações para o manejo clínico de gestantes infectadas e também para a prevenção da doença.

Pregnancy Management in the Context of Zika Virus Infection é de livre acesso e está disponível no site da OMS. Mas, o professor Fernando Bellíssimo Rodrigues, do Departamento de Medicina Social da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, lembra que este não é um guia para a população leiga; é “um documento técnico”, com informações detalhadas para os profissionais que trabalham com a doença.

Como a epidemia por Zika atingiu escala global, conta o especialista da FMRP, a OMS está tentando padronizar condutas de saúde para as melhores práticas possíveis no controle da doença, enfocando a gravidez. Por isso a preocupação com as orientações clínicas quanto às gestantes e às medidas preventivas nos mais diversos países afetados.

20160530_zika_omsE a preocupação não é sem tempo, já que apesar da grande variedade de estudos acontecendo atualmente, “não temos ainda números concretos da verdadeira incidência da doença. Sabemos que está se espalhando pelas regiões tropicais e subtropicais do globo, mas não temos a real incidência na gestação”, alerta Bellíssimo.

O controle da procriação do mosquito é ainda considerado a medida mais importante para a proteção não só contra Zika, mas dengue, chikungunya e febre amarela. Porém, essas “são medidas de difícil implementação, pois demandam comportamento humano, políticas de controle do lixo e manejo adequado de saneamento”.

E a mulher grávida, continua Bellíssimo, não pode ficar vulnerável a decisões que não dependam dela. Assim, “trabalhamos com a necessidade de estabelecer medidas individuais que as mulheres grávidas devem usar para se proteger do Zika e, por conseguinte, proteger seus bebês”. No documento da OMS, a equipe da Medicina Social da FMRP, lideradas pelos professores Bellíssimo e João Paulo de Souza, colaborou principalmente no levantamento de informações quanto ao uso de repelentes, telas mosquiteiras e equipamentos “chamados de uso individual” para proteção das gestantes.

Lixo urbano e política desastrosa

A diretora geral da OMS, Margaret Chan, declarou, na abertura da Assembleia Mundial de Saúde realizada em Genebra-Suíça, segunda-feira, dia 23 de maio, que “a propagação da zika, o retorno da dengue e a ameaça emergente da chikungunya são resultados da desastrosa política de saúde pública dos anos de 1970 que levou ao abandono do controle de mosquitos”.

Fernando Bellíssimo Rodrigues, do Departamento de Medicina Social da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - Foto: Divulgação FMRP/USP
Fernando Bellíssimo Rodrigues, do Departamento de Medicina Social da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – Foto: Divulgação FMRP

O Brasil, por exemplo, já foi considerado livre do mosquito por ter atendido ao programa de erradicação da OMS, em 1958. Durante a primeira metade do século passado, a principal doença transmitida pelo Aedes aegypti não era a dengue, mas a febre amarela. Na década de 1970, no entanto, as autoridades em todo o mundo substituíram a “erradicação” pelo “controle” do mosquito.

Do final da década de 1970 até hoje, o Aedes vem ganhando terreno na luta em nosso país, anexando outras doenças como a dengue e agora a Zika e a chikungunya.

Para Bellíssimo, assim como a diretora da OMS, o problema é de políticas públicas e controle sanitário. O Brasil, diz o especialista da USP, “está em condição desfavorável por conta do manejo inadequado do lixo urbano”.

O professor defende que o poder público e a população devam se aliar para dar destinação adequado ao lixo; pois, ao contrário do que se pensa, “a maior parte dos criadouros do mosquito não está nas residências e sim ao redor delas”. Bellíssimo diz que se assim fosse, a incidência dessas doenças não diminuiria no inverno.

“O vaso dentro de caso recebe água o ano inteiro, já o volume de chuvas cai no inverno. Os depósitos irregulares de lixo urbano são os grandes criadouros do Aedes”. O professor afirma que enquanto caçambas com resíduos da construção civil ficar ao relento e as vias públicas e terrenos baldios receber descartes de sofás, geladeiras e automóveis será praticamente impossível o controle efetivo dessas doenças.

Mais informações: fbellissimo@fmrp.usp.br

Rita Stella / Serviço de Comunicação do Campus da USP em Ribeirão Preto

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