Mulher moderna está mais propensa a desenvolver endometriose

Doença do tecido de revestimento do útero é a principal causa de infertilidade e dor pélvica, revela especialista

  • 537
  •  
  •  
  •  
  •  

jorusp

Estima-se que sete milhões de brasileiras sofram hoje com a endometriose. A doença feminina afeta de 10% a 15% das mulheres em fase reprodutiva em todo o mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde. Maurício Simões Abrão, professor da Faculdade de Medicina e diretor da Divisão de Endometriose do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da FMUSP, revela que a doença é a principal causa de dor pélvica e infertilidade entre as mulheres.

O endométrio é o tecido de revestimento da cavidade uterina eliminado durante a menstruação. No caso de algumas mulheres, porém, o tecido pode refluir para a cavidade abdominal, podendo chegar às alças intestinais, pelas tubas uterinas, e lá se implantar, causando uma inflamação. Além disso, o doutor conta que há outra causa para a doença, que se relaciona com o sistema imunológico da paciente.

Cólica menstrual severa ou incapacitante, dores – durante a relação sexual, entre as menstruações, ao evacuar e urinar quando menstruada – e infertilidade são os sinais que devem receber atenção das mulheres desde o início da fase reprodutiva, com a menarca, alerta Abrão. Além de exames de imagem, a valorização dos sintomas é um dos principais caminhos para o diagnóstico.       

Segundo o professor, a endometriose tem estreita relação com a mulher moderna. Ele explica, dizendo que hoje as pessoas são mais estressadas, o que é relevante para uma condição estimulada por hormônios, como é essa doença. Além disso, hoje as mulheres menstruam mais, já que engravidam mais tardiamente e têm menos filhos. Sobre a crença de que a gravidez cura a endometriose, Abrão conta não haver evidências dessa associação. O que ocorre é que a mulher passa nove meses sem menstruar, estando momentaneamente protegida.

Concluindo, o doutor alerta para a necessidade de se atentar aos sinais do organismo. A mulher não deve esperar as tentativas de engravidar sem sucesso para procurar o médico e pensar a doença. Quanto mais cedo for descoberto, maiores as chances de controlar a doença e conseguir engravidar. Como medidas de prevenção, Abrão alerta para a qualidade de vida, os cuidados emocionais e a realização de exercícios físicos.

Jornal da USP no Ar, uma parceria do Instituto de Estudos Avançados, Faculdade de Medicina e Rádio USP, busca aprofundar temas nacionais e internacionais de maior repercussão e é veiculado de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 9h30, com apresentação de Roxane Ré.

Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93.7, em Ribeirão Preto FM 107.9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular. Você pode ouvir a entrevista completa no player acima.
.

  • 537
  •  
  •  
  •  
  •  

Textos relacionados