Liberdade de imprensa nunca foi tão questionada e agredida

Para especialistas da USP, democracia não prevê, necessariamente, a liberdade de imprensa

Nesta sexta feira, o Diálogos na USP discute a liberdade de imprensa, fundamental para o exercício do jornalismo na democracia. Mais de 1/3 da população mundial vive em um lugar onde não existe nem liberdade de imprensa nem democracia; nesses países, jornalistas convivem com ameaças de agentes de estado, que afetam não só suas carreiras, mas também suas vidas pessoais. Mesmo em lugares democráticos, a imprensa vem sendo demonizada: Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, elegeu a imprensa como um dos seus inimigos mais ferrenhos.

Foto: Marcos Santos / USP Imagens

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Carlos Eduardo Lins da Silva, jornalista e professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo, doutor e livre-docente em Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da USP, acredita que a liberdade de imprensa é difícil de ser alcançada, raramente plena e está sob assédio quase no mundo inteiro. O conceito foi formulado pelos ídolos da revolução francesa e revolução americana, mas nunca foi tão questionado e agredido desde sua formação como tem sido nos últimos seis ou sete anos.

Foto: Marcos Santos / USP Imagens

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O jornalista Luiz Roberto Serrano, da Superintendência de Comunicação Social da USP, defende que a liberdade de imprensa é precedida pelo conceito de liberdade de opinião. Com o tempo, a imprensa passa a ser a própria investigadora da sociedade, ganha então uma postura crítica ao investigar o sistema. Como ela incomoda muito, há reações de todos os tipos.

Os convidados concordam que a atual posição do Brasil no ranking da liberdade de imprensa mundial é vergonhosa e que o Poder Judiciário pode inviabilizar o papel da imprensa, assim como a sociedade: em manifestações, por exemplo, jornalistas são agredidos por cidadãos. O crime organizado e o próprio Ministério Público também podem ser fontes de coação. A instabilidade do exercício da profissão do jornalista no Brasil aumentou muito. O jornalista está cada vez mais exposto.

Foto: Marcos Santos / USP Imagens

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Nesta década, o Brasil é o segundo país da América Latina com maior número de jornalistas assassinados e eles são, em sua maioria, desconhecidos. Para os convidados, o desafio é fazer as raízes da democracia se espalharem pelo País.

Esta edição do Diálogos na USP teve apresentação de Marcello Rollemberg e trabalhos técnicos de Marcio Ortiz. A produção é do Departamento de Jornalismo da Rádio USP.

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