Larvicida é apontado como causa provável da microcefalia

Colunista comenta relatório de associação argentina de médicos, que afirma que o vírus Zika pode não ser o responsável pela má-formação nos bebês

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Foto: Gabriel Jabur/ Agência Brasília
Foto: Gabriel Jabur/ Agência Brasília

Atualizado em 23/03/2017, 16h14.

Um grupo de médicos argentinos está desafiando a teoria de que o vírus zika seja responsável por defeitos congênitos em bebês no Brasil. Ao contrário, eles argumentam que o responsável por isso seria a Monsanto ou, pelo menos, seu parceiro estratégico, a Sumitomo Chemical. Este é o tema desta semana da coluna “Ciência Feliz”, do professor Ciro Marcondes Filho, da Escola de Comunicações e Artes da USP. Para ouvir o comentário do professor na íntegra, clique no player acima.

A denúncia foi feita pela Organização Médicos em Cidades Pulverizadas, que afirma que um larvicida químico que produz malformações em mosquitos foi introduzido no abastecimento público de água potável em 2014. De acordo com a Organização Curas Naturais Saudáveis, esse veneno, Pyriproxyfen, é usado em um programa controlado pelo Estado, que busca erradicar os mosquitos portadores de doenças. Essa composição tem o efeito de inibir o desenvolvimento evolutivo e causa defeitos de nascimento. O larvicida parece um fator causal plausível na microcefalia. Muito mais que mosquitos transgênicos que alguns têm culpado pela epidemia de zika.

Errata:
O professor Ciro Marcondes Filho informa que, ao contrário do que foi veiculado na coluna “Ciência Feliz”, a Monsanto não fabrica e não comercializa o Pyriproxyfen, bem como não tem nenhum tipo de parceria que envolva esse produto. A Monsanto e a Sumitomo Chemicals não possuem nenhuma relação societária, mas mantêm parcerias comerciais em algumas regiões para herbicidas, produtos usados no controle de plantas daninhas.

Nota da redação:
O Jornal da USP acredita que a divulgação científica implica responsabilidade e verificação rigorosa dos fatos – em especial na época atual, repleta de notícias falsas. Por fim, o Jornal da USP e a Rádio USP reiteram que os colunistas têm total independência na escolha e no tratamento dos assuntos de suas colunas, e que os comentários feitos não representam necessariamente a linha e as escolhas editoriais dos dois veículos. Sugerimos fortemente que nossos leitores tirem suas dúvidas sobre o tema no artigo do professor Jean Pierre Schatzmann Peron, do Instituto de Ciências Biomédicas da USP e integrante da Rede Zika: Uma vez mais: zika é responsável por microcefalia.

 

A fim de esclarecer o público, o Jornal da USP publica o comentário feito pelo professor Ciro Marcondes Filho e alguns comentários enviados para a redação:

 

Comentário feito pelo professor Ciro Marcondes Filho:

Segue a matéria:

http://yournewswire.com/doctors-blame-monsanto-for-brazils-microcephaly-outbreak/

Convém reforçar que o trabalho da divulgação científica é chamar a atenção da sociedade para questões emergentes e atuais. Ela apenas repassa aquilo que preocupa os cientistas e que pode ter, por isso, efeitos sociais maiores. Não lhe cabe discutir se a constatação, no caso, da associação argentina de médicos, é justa ou não; essa tarefa é da Academia, a quem compete, em fóruns próprios, apresentar as demonstrações em contrário.

O colunista.

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Comentários dos leitores do Jornal da USP


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A atividade de divulgação científica é fundamental e louvável. No entanto, na ausência de critério para verificar qualidade das fontes, torna-se uma atividade de risco pois pode oferecer um palanque para difusão da desinformação travestida de ciência.

Fiquei muito decepcionado com a decisão da coluna Ciência Feliz do Jornal da USP de propagar uma informação alarmista, desatualizada e falsa sobre uma suposta relação entre a aplicação de larvicida e a microcefalia. Trata-se de uma hipótese que já foi amplamente refutada. Muitos avanços foram feitos na pesquisa sobre as causas da microcefalia, rendendo importantes publicações científicas para grupos de pesquisa nacionais, incluindo grupos de pesquisa da USP. Lembro que informações mais atuais são acessíveis seja pela busca na internet, ou alternativamente, pelo contato direto com os muitos pesquisadores que trabalham com o assunto na própria USP.

A sociedade definitivamente não precisa da circulação de inverdades com graves consequências para a saúde publica. O problema é acentuado quando a desinformação é propagada por um veículo associado a uma instituição como a USP.

Atenciosamente,
Frederico Henning,
Pesquisador pós-doutor, Universidade Federal do Rio de Janeiro
ex-aluno do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva, IB-USP


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O seguinte artigo é uma coluna que foi veiculada em 17/03/2017

Larvicida é apontado como causa provável da microcefalia

Esta teoria já foi descartada. Propagar esse tipo de informação é perigoso e diminui a credibilidade do Jornal da USP.

Vejam: Uma vez mais: zika é responsável por microcefalia

Solicito que retirem o artigo que aponta o larvicida como causa provável da microcefalia de seu site para evitar a veiculação de notícias falsas.

Atenciosamente,
Guilherme Dellagustin


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Prezados,

Causa espanto e indignação a publicação pelo Jornal da USP da matéria intitulada “Larvicida é apontado como causa provável da microcefalia”. Como cidadão e uspiano não entendo como a universidade pode se associar a divulgação reciclada de um boato. Felizmente agora vocês estão linkando no final da notícia uma refutação feita pelo professor Jean Pierre Schatzmann Peron. Todavia, é alarmante o número de compartilhamentos nas redes sociais da notícia “Larvicida é apontado como causa provável da microcefalia”, espalhando alarmismo e desinformação. Peço que considerem a retirada da notícia do site para que o nome da USP não seja utilizado para legitimar esse boato, que já foi refutado por vários meios de comunicação e pelo próprio professor Jean Pierre Schatzmann Peron, da rede Zika.

Atenciosamente,
Bruno Alba


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É com completa indignação que vi a matéria “Larvicida é apontado como causa provável da microcefalia” publicada nesse jornal. Este artigo, cuja fonte foi uma obscura “Organização Médicos em Cidades Pulverizadas”, trata de um assunto no qual há especialistas de primeira linha na USP, incluindo o Prof. Jean Pierre Peron, do ICB, que publicou trabalho seminal na respeitadíssima revista Nature (http://www.nature.com/nature/journal/vnfv/ncurrent/full/nature18296.html) comprovando que de fato o vírus Zika causa defeitos de nascimento. Em vez de consultar os conhecidos especialistas em Zika da USP, o jornal publica um artigo em que consulta um cientista social e jornalista, que não trabalha na área em questão e claramente não tem sequer a formação necessária para compreendê-la adequadamente. Os espalhamento de lendas urbanas sem substanciamento científico é fato da vida atual, mas nunca esperaria tal absurdo do jornal da nossa Universidade, que minimamente deveria refletir a qualidade científica dos cientistas da universidade que os abriga, e não uma essa obscura  “Organização Médicos em Cidades Pulverizadas”.

O Jornal da USP precisa se retratar desse erro grave, realizando uma matéria cientificamente embasada e de qualidade, consultando os vários grupos da USP que atualmente trabalham nos efeitos do Zika. Não é permissível que a nossa Universidade participe de desinformação científica desta forma!

Alicia J. Kowaltowski, professora do Departamento de Bioquímica do Instituto de Química da USP


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Com licença, sou estudante de Eng. Agronômica no campus de Piracicaba e estava lendo notícias na versão on-line do jornal quando me deparo com o seguinte artigo:

Larvicida é apontado como causa provável da microcefalia

Na minha humilde opinião como “consumidor” de notícias e como um estudante ligado à pesquisa nessa mesma instituição, é de uma IRRESPONSABILIDADE ENORME a escrita desse artigo, desde o seu título até o teor do seu conteúdo. Veja bem, em 2016 foi publicado na revista NATURE (http://www.nature.com/nature/journal/v534/n7606/full/nature18296.html) um estudo relacionando a causa do surto de microcefalia no Brasil a uma cepa do vírus ZIKA, ou seja, é mais do que sabido que para dar suporte a uma afirmação como essa é preciso de provas científicas muito bem fundamentadas e aceitas na comunidade. O artigo publicado no Jornal da USP não traz uma menção sequer a um estudo ou a qualquer evidência que relaciona a molécula em questão como causa de microcefalia. Vou repetir, não existe nenhum link externo para que o leitor possa confirmar em uma fonte confiável a veracidade da informação passada por vocês e o pior: vocês negaram a existência de um estudo feito com participação da própria USP.

Eu procurei saber sobre a associação de médicos citada no artigo e tudo o que eles têm é um “achismo”. Nenhuma evidência científica, nenhum estudo e nem mesmo uma hipótese molecular plausível, apenas um grande “E SE”.

Gostaria de enfatizar: estamos em uma instituição que lida com ciência no seu dia a dia e nós somos muito cobrados em relação ao embasamento e prova das afirmações que fazemos na academia, por isso seria justo vermos o mesmo aqui no Jornal, que é uma ponte para a comunidade externa. Não adianta nada fazermos pesquisa na universidade se a informação que chega ao público é distorcida. É o chamado FAKE NEWS e isso é grave, principalmente ao considerar o contexto onde estamos inseridos. Na minha opinião o Jornal deveria apagar a notícia e emitir uma nota de retratação para avisar os leitores sobre o equívoco.

Atenciosamente.

Rafael Erler


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Note a data de publicação da nota emitida pela sociedade médica argentina: Fevereiro de 2016. Muita coisa já foi estabelecida em mais de um ano de pesquisa sobre o Zika vírus, e acredito que trazer um boato que nunca foi validado à tona é nocivo à comunidade científica.

Posso disponibilizar dois artigos que mostram que o larvicida em questão não é associado com microcefalia:

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28051181

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/27812601

Da mesma forma, existem inúmeros artigos publicados em revistas de alto respaldo científico que mostram que o vírus Zika causa sim microcefalia. Por exemplo:

http://www.nature.com/articles/srep39775

http://www.nature.com/nature/journal/vnfv/ncurrent/full/nature18296.html

http://www.sciencemag.org/news/2016/05/zika-causes-microcephaly-mice

Portanto, peço minhas gentis desculpas por contradizer a matéria e ao colunista, mas ainda acredito que esta matéria não deveria estar vinculada ao site da universidade mais influente da América Latina, já que não há embasamento científico por trás da informação.

Estamos na “Era da informação equivocada”, e se não são os jornais (principalmente os vinculados à educação) não se importam com a veracidade da informação, acho que teremos árduos caminhos pela frente. Sobre mim, eu sou atualmente neurocientista na King’s College London, e a USP é a minha alma mater (por isso vi a matéria). Atualmente estou aplicando para um grande projeto internacional sobre os efeitos da Zika no neurodesenvolvimento utilizando células tronco para modelar a doença e revertê-la utilizando drogas reposicionadas. Fico disposto para esclarecimentos futuros.

Grande abraços,

Rodrigo Duarte


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Muito me assustou a coluna “Larvicida é apontado como causa provável da microcefalia”, publicada em 17/03 deste ano.

A USP abriu espaço para publicação de uma matéria sensacionalista, fundamentada em um movimento que não possui dados que apoiem suas ideias.

Abriu espaço para que a opinião pública se volte contramedidas necessárias – e importantes – no combate das espécies transmissoras de dengue, zika, etc.

Além de se esquecer que o nome “USP” tem um peso enorme na opinião pública que já está usando argumento de autoridade na tentativa de desmentir pesquisas profundamente fundamentadas sobre a associação do Zika com microcefalia.

A entidade (Reduas), responsável pela divulgação da informação sem sustentação, é conhecida por seu ativismo político, a despeito das evidências contrárias, contra tecnologias de controle de pragas associadas à agricultura. A entidade ignora dados de organizações que mostram, por exemplo, que o glifosato não é carcinogênico. (European Food Safety Autority, FAO e OMS).

Apontar o larvicida, foi apenas mais um passo em direção ao ativismo pseudocientífico da Reduas.

É realmente um erro de estratégia dar voz à pseudociência.

A USP foi uma das organizações responsáveis pela confirmação do Zika Vírus como responsável pelo aumento dos casos de microcefalia.

Vivemos em um momento de constante desinformação, como negacionismo de mudanças climáticas, criacionismo e teorias da conspiração contra transgênicos e o agronegócio.

Apenas a divulgação de ciência, fundamentada e clara, pode angariar apoio da opinião pública que mantém a USP, centro de referência mundial, o qual não pode correr o risco de contradizer suas maiores conquistas.

Me deixa ainda mais perplexo a existência de uma coluna que não seja crivada pela academia na hora de publicar seus textos.

Mensagens conspiracionistas, negando que os ataques de 11 de setembro de 2001 tenham ocorrido, associações infundadas entre larvicida e microcefalia, apenas denigrem o esforço de diversos pesquisadores e agencias de fomento, que investem o escasso dinheiro do contribuinte na busca eficaz de resolução dos problemas brasileiros.

Adelino De Santi Júnior, Mestre em Ecologia Aplicada; Bacharel e Licenciado em Ciências Biológicas, ESALQ-USP, atualmente Biólogo das Indústrias Nucleares do Brasil – INB


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Com surpresa vi replicado na coluna “Ciência Feliz” (Radio USP) e publicado no “Jornal da USP”, uma notícia antiga de 2016 e totalmente equivocada, acerca das causas da microcefalia. Como ouvinte, eu esperaria da coluna “Ciência Feliz”, divulgação científica atualizada e baseada em textos de fontes confiáveis, como os dos grupos de pesquisa da FIOCRUZ e  do ICB-USP (REDE ZIKA), por exemplo.

É imprescindível atentar para o peso de uma informação equivocada, divulgada num veículo da USP, independente de ser uma coluna com opinião pessoal ou não. Afinal o objetivo da coluna é a “divulgação científica”. Houve falha na verificação da confiabilidade do site “YOURNEWSWIRE.COM“, e da notícia “Doctors Blame Monsanto For Brazil’s Microcephaly Outbreak” (publicado em 31/05/2016), utilizada pelo  Prof. Ciro (colunista). Em 15/02/2016 a BBC-Brasil publicou uma reportagem esclarecendo o equivoco surgido a partir de textos em inglês, de blogs ambientalistas, em que acusavam o larvicida piriproxifeno de causar microcefalia. (http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/02/160215_zika_larvicida_cc)

Usando os termos “yournewswire.com” is satirical site or fake and incorrect news?, foi possível localizar diversos sites relacionando-o como não confiável. Precisamos nos certificar da credibilidade dos sites e da veracidade das notícias, antes de postar qualquer coisa ou recomendar a outrem. A internet esta cheia de notícias falsas.

Segue uma lista de sites indicando o “YOURNEWSWIRE.COM” como não confiável:
– Aviso da “CBS News”:   =  http://www.cbsnews.com/pictures/dont-get-fooled-by-these-fake-news-sites/5/
– do “MXT Midia”, no texto “BS Detector LIs: Facebook Fake News Filters” onde há lista dos sites fakes=  https://getmxt.com/facebook-fake-news-list
– em notícia do “DailyMail”, falam sobre a publicação de notícias duvidosas =http://www.dailymail.co.uk/news/article-4170160/MPs-launch-probe-fake-news.html
– no site = ttp://www.fortliberty.org/hoax-sites.html
– até no Wikipedia ele figura na “List of fake news websites” = https://en.wikipedia.org/wiki/List_of_fake_news_websites

Como Prof. de Biologia, fiquei bastante decepcionada ao ver pessoas compartilharem a notícia equivocada “Larvicida é apontado como causa provável da microcefalia”, pois consideraram a publicação confiável. De modo geral, as pessoas não conferem a veracidade do que leram, apesar de todos os trabalhos sérios divulgados sobre a causa da microcefalia, de maio de 2016 até agora – 2017. Em função disto,  todos os formadores de opinião e jornalistas precisam “assumir o compromisso com a verdade e a informação” correta (Juramento do Jornalista).

Nos últimos 30 anos tenho visto notícias biológicas equivocadas, veiculadas em diversos meios de comunicação, em que esqueceram de verificar a correção do fato com alguém da área. É um desserviço a sociedade. Isto gera transtorno ao nosso trabalho de ensinar por desinformar alunos, desinformar a população.

Abraço a todos.

Bons dias e “bora” pesquisar ….

Prof. Patricia Garcia, Msc.
Professora de Biologia Laboratório – Colégio Dom Jaime Câmara, São José – SC
Mestre em Aquicultura (CCA- UFSC)
Pesquisadora Voluntária no AQUOS –  Labotarório de Sanidade de Organismos Aquáticos
Depto de Aquicultura – Universidade Federal de  Santa Catarina (UFSC)
Grupo de Pesquisa CNPq – Patologia e Sanidade Aquática:
dgp.cnpq.br/dgp/espelhogrupo/1972907413067000


Foi com muita surpresa, que, ao checar minhas mensagens hoje, vi um alerta do Jornal da USP com a seguinte chamada: “Larvicida é apontado como causa provável da microcefalia” (http://jornal.usp.br/atualidades/larvicida-e-apontado-como-causa-provavel-da-microcefalia/). Esse é um boato antigo, já desmentido por cientistas especialistas, inclusive da nossa Universidade. Muitos artigos científicos, com participação inclusive de nossos colegas, descrevem como o virus Zika é responsável pelos casos de microcefalia. Divulgar o contrário é propagar uma atitude anti-científica e é irresponsável, pois pode causar um descuido da população com relação ao mosquitos, transmissores do virus. Felizmente, após o ocorrido, o Jornal da USP publicou a matéria do professor Jean Pierre Schatzmann Peron, do ICB da USP, que fez um excelente trabalho descrevendo o estado da arte da pesquisa sobre o Zika (http://jornal.usp.br/artigos/uma-vez-mais-zika-e-responsavel-por-microcefalia/).

Também fiquei bastante preocupada com a posição do colunista em sua resposta aos comentários. Ele fala em trabalho de divulgação científica, mas a matéria não se trata de ciência. A fonte citada por ele, é uma página sensacionalista e cita um documento sem nenhuma validade científica. Artigos científicos relatam descobertas feitas por meio de observações e experimentações extensivas para falsear hipóteses científicas. Os artigos são submetidos a periódicos na área e revisados por pares (três ou mais) e um editor avalia então, com base nos pareceres dos especialistas, se ele é ou não adequado para publicação. A matéria utilizada não passou por nenhum desses processos; não houve experimentação, teste de hipótese, submissão para publicação, revisão por especialistas e publicação. Como não é uma publicação científica não entra no âmbito de divulgação científica. 

É extremamente difícil para nós, acadêmicos, abordarmos assuntos complexos como o Zika junto à sociedade, e contamos com a ajuda de veículos de divulgação. Há muitos mitos, mentiras e distorções que circulam na mídia e redes sociais, contra os quais lutamos diariamente. Quando um veículo com o nome da nossa universidade propaga tais mitos, não chama atenção da sociedade para discussões, propaga esses mitos com o nome da universidade mais importante da América Latina. Cientistas têm sim, seus fóruns próprios para discutir tais assuntos. Mas precisamos de divulgação cientifica, feita por profissionais de comunicação para atingir a sociedade. Mas isso precisa ser feito com embasamento científico, apuração de fatos e fontes confiáveis.

Dada a importância do assunto e impacto na sociedade, seria importante fazer uma nota de retração da matéria.
Tatiana Teixeira Torres
Professora
Departamento de Genética e Biologia Evolutiva
Instituto de Biociências, USP
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