Integração dos órgãos de segurança carece de discussão ampliada

Sérgio Adorno analisa processo de elaboração do projeto de lei que cria Sistema Único de Segurança Pública

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A proposta de criação do Sistema Único de Segurança Pública, em tramitação na Câmara, tem suscitado discussões entre os envolvidos com a questão da violência no País. Para Sérgio Adorno, professor do Departamento de Sociologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP e coordenador do Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da USP, a ideia de integrar órgãos e instituições, num entendimento conjunto da segurança pública, é desejada por todos, mas a proposta carece de uma discussão mais ampliada com os setores diretamente envolvidos e com a sociedade civil.

Adorno avalia que unificar as agências produtoras de informações sobre violência é uma maneira eficiente de maximizar os resultados das políticas públicas de segurança. Ele lembra, porém, que o sucesso da medida depende de determinações ausentes no projeto de lei apresentado. Não está claro, por exemplo, em torno de quais princípios e concepções se dará a união das instituições, ou de onde virá e como será administrado o orçamento para viabilização do sistema.

Ainda segundo Adorno, os agentes da integração devem estar convencidos dos efeitos positivos da mudança para que o projeto seja bem-sucedido. Além disso, precisam ser criados padrões mínimos a serem compartilhados pelos órgãos integrados, o que demanda uma mudança de cultura organizacional das instituições. Sem uma discussão mais aprofundada, é impossível a elaboração de um plano de ação eficiente e o projeto pode ser inviabilizado em um curto espaço de tempo, sendo uma política de governo facilmente desfeita pelo mandatário sucessor, conclui o professor.

Ainda sobre esse assunto, na segunda-feira (26) o Jornal da USP  conversou com José Vicente Silva Filho, mestre em Psicologia Social pela USP e ex-secretário nacional de Segurança Pública, na entrevista que você pode acompanhar pelo link abaixo:

Problemas na segurança pública são de gestão e não de legislação

Jornal da USP, uma parceria do Instituto de Estudos Avançados, Faculdade de Medicina e Rádio USP, busca aprofundar temas nacionais e internacionais de maior repercussão e é veiculado de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 9h30, com apresentação de Roxane Ré.

Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93.7, em Ribeirão Preto FM 107.9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular. Você pode ouvir a entrevista completa no player acima.

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