Incêndio revela virulência dos grupos de ódio contra os sem-teto

Reações nas redes vão da solidariedade dos movimentos sociais a discursos violentos que transformam vítimas em culpados

O incêndio e o desabamento do edifício Wilson Paes de Almeida, no Largo do Paiçandu, no dia 1º de maio, teve ampla repercussão social e midiática nas redes. Em sua coluna da Rádio USP, Giselle Beiguelman, professora e artista da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, pontua: “Essa tragédia é o resultado da falta de políticas públicas que tratem a moradia como um direito”.
A repercussão social e midiática, segundo a professora, mobilizou as redes desde o início. “Desencadeou, imediatamente, articulações de grupos de apoio às vítimas, com rápidos sistemas de provimento de alimentos e campanhas de doações aos atingidos. Mas, tão rápida quanto a organização dessas manifestações, foi a apropriação do fato por grupos de ódio.”
Segundo Giselle, esses grupos, nos Estados Unidos e Europa, são racistas e antissemitas e vão contra o “padrão de nação e sociedade” que eles defendem. “Aqui, em SP, esses grupos se voltam contra a população mais vulnerável: sem-teto, refugiados, e seu foco expande-se para tudo aquilo que foge ao padrão idealizado do que seria a população genuína da cidade”, observa. “Em eventos, como a invasão da Cracolândia, em maio passado, e agora, no incêndio do prédio ocupado por cerca de 150 famílias, com apoio do Movimento Luta por Moradia Digna, isso fica muito claro. Nos comentários nas redes, são comuns as falas que expressam o desejo de ver outras minorias atingidas pelo mesmo infortúnio, o sadismo e a transformação da vítima em culpado, ocultando a corresponsabilidade do Estado e optando por criminalizar os movimentos sociais.”

Ouça no link acima a íntegra da coluna. Mais informações sobre o tema acesse:
www.desvirtual.com

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