HC realiza campanha para incentivar doação de órgãos

Milhares de brasileiros aguardam na fila por um transplante de órgãos; muitos correm o risco de morrer antes que isso aconteça

Por - Editorias: Atualidades, Rádio USP
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Instituto Central do Hospital das Clínicas de São Paulo - Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Instituto Central do Hospital das Clínicas de São Paulo – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

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Acompanhe a entrevista da repórter Simone Lemos com a dra. Debora Terrabuio, hepatologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e membro da Sociedade Brasileira de Hepatologia:

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O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP está lançando, nesta terça-feira (27), o Dia do Doador de Órgãos e Tecidos, uma campanha para incentivar a doação de órgãos.  A iniciativa, da Divisão de Transplante de Fígado e Órgãos do Aparelho Digestivo e da Divisão de Gastroenterologia e Hepatologia Clínica do HC, prevê que pacientes na lista de espera de um transplante e transplantados de fígado distribuam material educativo para a conscientização do público.

Foto: Visualhunt
Foto: Visualhunt

“Hoje, no Brasil, há carência de órgãos, pacientes esperam na fila por diversos tipos de transplante de órgãos e tecidos”, revela a hepatologista do HC,  Debora Terrabuio, membro da Sociedade Brasileira de Hepatologia. No ano passado, segundo dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), havia 31.915 pessoas na lista de espera. “O problema é que apenas 25% desses transplantes são realizados, número bem abaixo do necessário para atender à população.” A dra. Debora diz isso com conhecimento de causa. O setor de transplante de fígado do Hospital das Clínicas, onde ela atua, realizou, do início do ano até aqui, 80 transplantes – outros 230 pacientes estão na fila de espera. De acordo com a médica, cerca de 30% desses pacientes acabam falecendo à espera de um fígado que nunca chega. Os números poderiam ser bem diferentes, caso as cerca de 50% das famílias que hoje se recusam a doar os órgãos de seus parentes passassem a fazê-lo.

Por que a resistência em doar órgãos ainda prevalece no País ? Para a dra. Debora, há muitas crenças envolvendo o processo de doação de órgãos. Muitos, que ainda resistem à ideia de que a morte encefálica é irreversível, acreditam que o médico possa acelerar a morte de pacientes que decidiram doar seus órgãos; outros alimentam o temor de que o corpo do doador seja exposto com mutilações e imperfeições durante o velório – crenças que, segundo a médica, não têm nenhum fundamento.

Em compensação, acrescenta a dra. Debora, o ato de doar os órgãos, além de fazer bem psicologicamente ao doador,  pode contribuir para que “uma outra pessoa possa viver por mais tempo e com melhor qualidade de vida”.  Ela afirma que qualquer pessoa pode ser doadora, tanto crianças quanto adultos. Toda vítima de traumatismo craniano é, em princípio, um potencial doador. Exames específicos são realizados nos órgãos a serem doados, com o intuito  de verificar se não apresentam patologias que inviabilizem o transplante.

Em 2015, o Instituto Central do HC realizou 511 transplantes: 195 de rim, 120 de medula óssea, 96 de fígado, 93 de córnea e sete de pâncreas. A campanha de incentivo à doação de órgãos acontece em frente ao Prédio dos Ambulatórios do HC.

 

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