Grossmann explica resistência dos museus à tecnologia

Professor cita o Masp e o MAC como exemplos de instituições que resistem à introdução do inovador

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O conservadorismo dos seres humanos em geral e dos museus em particular – com sua típica dificuldade de aceitar a introdução do novo – é um dos motivos que explicam o fato de que as novas tecnologias digitais ainda não impactaram essas instituições de cultura e preservação da memória.

Essa explicação foi dada pelo professor Martin Grossmann em sua coluna “Na Cultura o Centro Está em Toda Parte”, que foi ao ar no dia 17 de maio pela Rádio USP (93,7 MHz). Como exemplos, Grossmann citou duas instituições localizadas na capital paulista: o Museu de Arte de São Paulo (Masp) e o Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP.

No Masp,  a expografia revolucionária de Lina Bo Bardi – arquiteta do museu – foi banida por mais de 20 anos. Elogiada por visitantes e especialistas estrangeiros, a forma de exposição concebida por Lina previa obras fixadas em lâminas de vidro, que, por sua vez, ficavam ancoradas em blocos de concreto. Com as paredes laterais em vidro desimpedidas, o público tinha vista, de um lado, para o verde exuberante do Parque Trianon e para a movimentação da Avenida Paulista e, de outro, para o centro da cidade de São Paulo. “Ou seja, o museu já propunha uma experiência no espaço-tempo, com várias dimensões.”

Já o MAC, que tem origem na doação para a USP, feita por Ciccillo Matarazzo, de obras do Museu de Arte Moderna (MAM), também tem traços de resistência ao inovador, segundo Grossmann. O seu primeiro diretor, Walter Zanini, concebeu o MAC como um laboratório aberto a novas ideias, a novas concepções de arte –  como a arte conceitual e a videoarte – e a experimentos com novos modos de interação entre artistas, como a arte postal dos anos 60 e 70. Isso permitiu que, em plena ditadura militar, artistas e diferentes agentes da arte trocassem ideias, com a participação do público. “Esse museu hoje já não tem influências disso”, lamentou Grossmann. “Esse espírito de vanguarda que havia em sua gênese não tem agora a mesma amplitude e possibilidade de transformação.”

Ouça no link acima a íntegra da coluna do professor Martin Grossmann.

 

 

 

 

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