Falar ou não falar sobre a morte, eis a questão

O entendimento daqueles que são dados como os mais frágeis é, muitas vezes, melhor do que o nosso, explica especialista

Por - Editorias: Atualidades, Rádio USP
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Há quem diga que, nesta vida, a única certeza que temos é de que um dia vamos morrer. Várias questões passam pela cabeça. Para onde vou? O céu existe? E a pergunta mais frequente: quando eu morrer, vão se lembrar de mim?

Em entrevista à Rádio USP, a especialista em morte Elaine Alves, do Instituto de Psicologia da USP, explica que a dor da perda, o luto, pode ocorrer por bem mais tempo do que imaginamos, então, em relação à última pergunta, a resposta é sim, vão se lembrar:  “Datas comemorativas sempre vão fazer o enlutado se lembrar daquela pessoa, não tem como dizer que esse processo ocorra apenas durante um ano”.

Mesmo tendo boas intenções, aquele que fica ao lado de uma pessoa que acabou de perder alguém acaba sofrendo tanto quanto a própria,  por não saber como agir. “A pessoa que acabou de perder alguém tem o direito de sofrer, e não adianta falar para ela que tudo está bem, e que tudo vai ficar bem, porque naquele momento não vai. Se você quer realmente ajudar aquela pessoa, simplesmente ouça e seja um ombro amigo para ela”, explica Elaine.

A morte, por si só, já é algo complicado de se tentar compreender.  Como, então, fazer uma criança entender ? A professora explica que “a criança tem todo o direito de saber sobre uma perda, mas não se pode trabalhar com metáforas – se falar para ela que aquela pessoa dormiu para sempre ou está em um lugar melhor, ela nunca vai querer que aqueles a quem ama durmam ou viajem”.

O idoso vai saber lidar com a notícia de uma perda? Segundo a professora Elaine, essa é uma das perguntas mais frequentes, pois, assim como a criança passa a imagem de alguém frágil, alguém que deve ser poupado, “o idoso já passou por tanta perda na vida, se bobear ele vai ter um entendimento melhor do que o nosso”.

Ouça a entrevista na íntegra no link acima.

Por Thainan Honorato

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