Exames que detectam a lipoproteína A no sangue não são eficazes

Especialista do Incor diz que ainda não há tratamento eficaz para redução da Lp(a), possível causa do infarto

Doenças cardiovasculares estão entre as principais causas de óbito no Brasil. Dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que as mortes por esses problemas podem crescer até 250% nos próximos 22 anos. Existem diversos fatores que estão associados ao infarto. Estudo realizado pelo médico Raul Dias dos Santos, diretor da Unidade Clínica de Lípides do Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP,  mostra que o aumento da lipoproteína A no sangue é um deles.

Segundo o especialista, uma a cada cinco pessoas tem valores elevados da Lp(a) e, apesar dela ser dosada em diversos laboratórios, ainda não há um consenso sobre quais pessoas deveriam ter seu acompanhamento. Atualmente, só é feita a dosagem em quem tem  histórico de problemas do coração na família ou que já possuem doenças cardiovasculares.

Para o doutor, a técnica de dosagem ainda não é tão precisa. Ele também explica que o tratamento é muito complexo: não existem medicamentos que realmente abaixem a taxa da Lp(a) e também não existem evidências de que, baixando-a, os problemas do coração serão prevenidos. Hoje, no tratamento, são trabalhados os outros fatores, ou seja, diminuição da taxa de colesterol, orientação para que o paciente pare de fumar, comece a fazer exercícios, etc.

Jornal da USP, uma parceria do Instituto de Estudos Avançados, Faculdade de Medicina e Rádio USP, busca aprofundar temas nacionais e internacionais de maior repercussão e é veiculado de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 9h30, com apresentação de Roxane Ré.

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