Em 2017, vacinação contra o HPV se estenderá aos meninos

A partir de 2017, todas as Unidades Básicas de Saúde do País vão estar aptas a aplicar, gratuitamente, a vacina contra o HPV, tanto em meninos quanto em meninas

Por - Editorias: Atualidades, Rádio USP
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Acompanhe a entrevista da infectologista Martha Heloísa Lopes, do Hospital das Clínicas, à repórter Simone Lemos:

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Foto: Juliane Guez/ PMPA/Fotos Públicas
Foto: Juliane Guez/ PMPA/Fotos Públicas

O Ministério da Saúde anunciou, recentemente, que, a partir de 2017, incluirá meninos de 12 a 13 anos na campanha de vacinação contra o HPV, o vírus do papiloma humano, sexualmente transmissível. O plano é ampliar a faixa etária gradativamente até que, em 2020, a vacinação seja oferecida a meninos dos 9 aos 13 anos, como já ocorre com meninas desde 2014.  Segundo o Ministério da Saúde, a medida faz do Brasil o primeiro país da América do Sul e o sétimo do mundo a incluir meninos em um programa nacional de imunização de HPV.

Em entrevista para a Rádio USP, a dra. Martha Heloísa Lopes, infectologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, diz que o HPV atinge tanto meninas quanto meninos, a diferença é que, no sexo masculino, a infecção é assintomática e muitas vezes passa despercebida e não é diagnosticada, facilitando a transmissão. A especialista explica ainda que a vacinação começou pelas meninas porque o câncer do colo do útero é mais frequente do que os cânceres associados ao HPV no sexo masculino.

“A grande vantagem de se vacinar contra o HPV é justamente a proteção que dá às infecções graves. Então, primordialmente se tenta alcançar a população das meninas.” O Brasil utiliza a vacina quadrivalente, “que tem quatro tipos de HPV, dois deles oncogênicos, ou seja, capazes de levar ao câncer, e outros dois que são responsáveis pelas verrugas genitais, as quais, embora não causem câncer, podem ser bastante desconfortáveis e dolorosas, ocorrendo em ambos os sexos”, revela a dra. Martha. Segundo ela, o ideal é prevenir a infecção em ambos os sexos.

Hoje, são necessárias apenas duas doses para a imunização, ao contrário do que ocorria em um passado recente, quando se utilizavam três doses no combate ao vírus do papiloma humano. De acordo com a médica, estudos demonstraram que duas doses são suficientes para causar uma proteção eficaz. Nesse aspecto, segundo ela, o Brasil segue orientações internacionais. Os Estados Unidos já se prontificaram a noticiar que também vão reduzir de três para duas as doses da vacina.

A dra. Martha assegura que as vacinas, obtidas por engenharia genética, não causam efeitos colaterais, uma vez que são compostas a partir da parte superficial do vírus, não contendo o DNA do HPV, o que permite uma forte resposta imunológica sem o risco de que se contraia a doença. A infectologista explica que essa vacina é muito semelhante à vacina da hepatite B, que já vem sendo administrada há muitos anos, sem apresentar nenhum problema.

É claro que, como ocorre com outras vacinas, pode acontecer de surgir uma dor no local da aplicação, ou mesmo inchaço, “o que se chama de efeitos locais, facilmente reversíveis. Problemas mais instáveis associados a essa vacina não têm sido demonstrados em várias publicações pelo mundo afora”.

No passado, houve o registro do que se pode classificar de um comportamento de ansiedade coletivo, algo que se repetiu em outros países, não só no Brasil, na forma de meninas que desmaiaram ou que se sentiram mal depois de tomarem o medicamento. No entanto, “essas meninas foram extremamente investigadas e não apresentaram nenhum comprometimento neurológico”. Todas se recuperaram.

“É uma vacina amplamente distribuída em todo o mundo, levou a excelentes resultados nos lugares onde foi usada, não é mais uma vacina nova, ela é segura e altamente eficaz.”

 

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