Delações da Odebrecht são mais um avanço da Lava Jato

“Todo o escândalo que envolve a Odebrecht coloca todo o sistema político à prova”, afirma Glauco Peres da Silva

Por - Editorias: Atualidades, Rádio USP
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Acompanhe a entrevista do repórter Gustavo Xavier com o professor Glauco Peres da Silva, da Universidade de São Paulo:

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A presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Carmen Lúcia, homologou as delações de funcionários da Odebrecht, dando início a uma nova fase da Operação Lava Jato. A decisão da ministra manteve o sigilo sobre os conteúdos, mas tornou oficiais os depoimentos de 77 executivos e ex-executivos da empreiteira.

O professor Glauco Peres da Silva (Departamento de Ciência Política da Universidade de São Paulo) explica que o processo deve voltar para a Procuradoria Geral da República, a fim de que o procurador Rodrigo Janot possa lhe dar  o devido encaminhamento, de acordo com o foro privilegiado de cada um dos envolvidos.

Presidente do TSE, ministra Carmem Lúcia - Foto: STJ Noticias via Visual Hunt
A presidente do STF, ministra Carmem Lúcia – Foto: STJ Notícias via Visual Hunt

Para o professor da USP, o fato de a ministra Carmen Lúcia ter homologado a delação antes da indicação do novo relator não constitui nenhuma surpresa, uma vez que ela se viu diante da pressão, de um lado, da expectativa do anúncio do novo ministro pelo presidente Michel Temer, e, de outro, da mobilização da opinião pública e do próprio STF, que desejam dar continuidade ao processo. Portanto, na opinião de Peres da Silva, ela agiu acertadamente, ou corria o risco de comprometer todo o trabalho já realizado pela Lava Jato.

Embora admitindo a existência de conteúdos já vazados, o cientista político da USP acredita que não devam se tornar públicos, a fim de que a lei possa seguir seus trâmites, dessa forma permitindo que os envolvidos no processo respondam às denúncias. Afinal, lembra Peres da Silva, denúncias, ao menos  por enquanto, são apenas denúncias, e como tal devem ser tratadas.

Peres da Silva não se nega a comentar a proximidade entre empresas – no caso, empreiteiras – e o Estado, uma relação promíscua, que considera endêmica e não episódica. De acordo com ele, é difícil imaginar que um esquema dessa magnitude tenha envolvido uma única empresa, seja ela pública ou privada. Por isso, a importância de buscar evidências que possam dimensionar a gravidade da situação e soluções que possibilitem a reorganização do sistema.

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