Construção de novas usinas termelétricas pelo governo vai na contramão da COP26

De acordo com Pedro Luiz Côrtes, o investimento em matriz energética fóssil caminha ao contrário da adoção de energias limpas e do que foi assumido na COP26

 Publicado: 13/05/2022

 

O dinheiro para a construção da rede de gasodutos poderia ser destinado a áreas como saúde, educação e segurança –  Foto: Pixabay

O governo federal pretende concluir a operação de privatização da Eletrobras e construir oito gasodutos no País para viabilizar a implantação de novas usinas termelétricas, provavelmente na segunda quinzena de julho. Pedro Luiz Côrtes, professor da Escola de Comunicações e Artes (ECA) e do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da USP, afirma ao Jornal da USP no Ar 1ª Edição que a decisão do governo vai de contramão da adoção de fontes de energia renováveis e limpas.  

“O mundo tenta abandonar os combustíveis fósseis enquanto a gente vê um movimento forte dentro do Congresso Nacional no sentido de não só manter esses combustíveis, mas também ampliar o seu uso”, explica Côrtes. Segundo ele, está prevista a construção de termelétricas em localidades onde não há suprimento regular de combustível para que elas possam operar. 

Está prevista a construção de termelétricas em localidades onde não há suprimento regular de combustível para que elas possam operar – Foto: Alexandre Kuma via Flickr – CC

 

Além disso, a rede de gasodutos seria financiada pelo Tesouro Nacional em R$ 100 bilhões. O professor diz que esse dinheiro poderia ser destinado para áreas como saúde, educação e segurança, ou até mesmo no fomento das energias eólica e solar, que são energias sustentáveis. Mas que, ao final, será destinado a um grupo empresarial específico: “O empresário Carlos Soares e seus sócios têm o direito de exploração da construção do transporte de gás por meio de gasodutos nos Estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste do País. Ou seja, na prática, estariam sendo retirados R$ 100 bilhões do lucro do pré-sal”.  

Sem mudanças

Côrtes discorre também sobre os compromissos assumidos pelo Brasil na COP26, Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2021, em que o País aderiu a uma série de iniciativas para redução da emissão de gases, como o metano e o CO2. Mas que, com o desmatamento e as queimadas na Amazônia, a situação não tende a melhorar. 

“Só o fato do desmatamento ocorrer já libera uma quantidade muito grande de metano na atmosfera. Nós estamos vendo essa tentativa de implantação desse gasoduto, ou seja investimentos em matriz fóssil. Esse governo sempre caminhou na contramão de tudo aquilo que era preconizado nas COP”, revela. 

Pedro Luiz Côrtes conversa em entrevista ao Jornal da USP No Ar 1ª Edição toda semana, às sextas-feiras. Ele também possui um canal no YouTube chamado O ambiente é o nosso meio. Confira aqui.


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