Conservadorismo bancário influencia taxa de juros

Especialista explica os inúmeros fatores relacionados às taxas altas praticadas no País

jorusp

Segundo estudo realizado por um banco suíço atuante no Brasil, os juros dos bancos não acompanham o recuo da inadimplência. De acordo com a pesquisa, a taxa de juros deveria ser de 37,6% ao ano, quando, na realidade, o valor é de 57,7%. Márcio Issao Nakane, professor do Departamento de Economia da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP, falou sobre o nível elevado das taxas de juros.

Na opinião do professor, o banco suíço errou ao elaborar o estudo. Isso porque a simulação é feita com base nas taxas que vão até 2014 e o cenário foi imaginado entre 2015 e 2017. Segundo ele, nesse período de três anos, a taxa Selic e a taxa de empréstimo continuaram aumentando. Portanto, se o trabalho tinha a intenção de falar sobre os dias atuais, deveria ter feito a simulação a partir do momento em que a Selic começou a cair, o que aconteceu a partir de outubro de 2016. Entretanto, para o especialista, ainda que o banco tenha errado na comparação, acerta em classificar a taxa de 57,7%  muito alta.

Foto: Tumisu via Pixabay – CC

Ele explica os inúmeros fatores que estão relacionados a esse alto valor: inadimplência, a questão regulatória, os custos administrativos no Brasil, que são muito altos para os bancos, e também o conservadorismo desse setor. Essa característica  gera um sistema bancário muito sólido do ponto de vista financeiro, mas, em contrapartida, os bancos se arriscam pouco. O fato de poucos bancos dominarem esse mercado também dificulta. Além disso, a conjuntura política atual também tem efeito negativo. Contudo, o professor ressalta que a redução dos juros está acontecendo, só que de forma lenta.

Para Nakane, é necessário ter ações de todos lados: do Banco Central, do governo, dos bancos, dos consumidores, etc. Ele ressalta a importância de inovações nesse mercado, pois os momentos onde foram observadas reduções de taxas de crédito estão relacionados a novidades, como crédito consignado e o financiamento de automóveis. Segundo o economista, isso sinaliza a importância de se ter boas garantias com taxas baixas.

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