Concentração populacional é a principal causa de escassez de água

Professor comenta a previsão da ONU sobre disponibilidade hídrica e diz que falta conscientização da população

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Segundo previsões da Organização das Nações Unidas, ⅔ da população mundial estará vivendo sob escassez de água em 2025. O desequilíbrio territorial de disponibilidade hídrica é um dos problemas mais graves envolvendo a questão. Wanderley da Silva Paganini, professor da Faculdade de Saúde Pública da USP e superintendente de Gestão Ambiental da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo, conta que em alguns lugares do planeta o gasto diário de água por pessoa chega a 1.500 litros, enquanto, em outras áreas, esse número não passa de 4 litros.

Trazendo para o espectro nacional, Paganini avalia que o problema do Brasil não é a falta de água, mas o excesso de contingência populacional na mesma localidade. Apesar de o País ser dono de 13% das reservas de água doce do mundo, “onde tem água não tem gente, e onde tem gente não tem água”, diz o professor. A população brasileira se concentra onde a disponibilidade hídrica é menor, como no Nordeste, de clima semiárido, ou no Sudeste, onde a concentração populacional é enorme, e no Sul, região com excesso de irrigação.

Pessoas caminham em rua do centro de São Paulo – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Sobre São Paulo, o professor conta que 54% da população se concentra em menos de 5% do território estadual. E a previsão é de continuidade do crescimento acelerado das regiões metropolitanas do Estado. Esse é um problema grave, que gera, entre outras coisas, a necessidade de ações como a reversão de bacias. Além disso, a expansão da região periférica segue rumo às áreas de mananciais, o que pode resultar em encarecimento do serviço de distribuição hídrica, sendo um entrave ao projeto de universalização da água.

Os desafios agora, segundo Paganini, são de conscientização da sociedade, para que ela se envolva com essa questão. Ele afirma não faltar tecnologia ou saberes sobre saneamento e despoluição, e sim educação ambiental da população. Sem isso, o professor avalia não haver horizonte positivo para a situação.

Jornal da USP, uma parceria do Instituto de Estudos Avançados, Faculdade de Medicina e Rádio USP, busca aprofundar temas nacionais e internacionais de maior repercussão e é veiculado de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 9h30, com apresentação de Roxane Ré.

Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93.7, em Ribeirão Preto FM 107.9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular. Você pode ouvir a entrevista completa no player acima.

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