Cientista da USP repercute descoberta de novo continente

Um artigo publicado na revista científica “Geological Society of America`s Journal” afirma que Zelândia tem 5 milhões de km²

Por - Editorias: Atualidades, Rádio USP
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Ouça na íntegra a entrevista com o professor do Instituto de Geociências da USP, Benjamim Bley de Brito Neves:

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Um novo continente, quase completamente submerso, foi descrito por cientistas em publicação científica da Sociedade Geológica dos EUA. Batizado como Zelândia, esse novo continente está localizado no Oceano Pacífico, próximo da Austrália, e tem cerca de 2/3 da área deste país, cujas proporções alcançam 7,6 milhões de km². Segundo reportagem da BBC, 94% do recém-descoberto continente está submerso. Apenas algumas ilhas e poucas massas de terra são visíveis perto da Nova Zelândia.  Agora, os cientistas estão empenhados em uma campanha para que o continente seja reconhecido.

Foto: Wikimedia Commons
Foto: Wikimedia Commons

Professor do Instituto de Geociências da USP e membro da Academia Brasileira de Ciências, Benjamim Bley de Brito Neves se diz surpreendido com a descoberta do novo continente, que escapou a toda comunidade científica. É que ele integra, desde 1992, um grupo de cientistas engajados em um projeto de evolução dos continentes, denominado Teoria dos Supercontinentes. Depois de  muitos estudos, eles  não chegaram a detectar esse grande fragmento continental.

O professor Brito Neves explica que existem na superfície da Terra dois tipos fundamentais de crosta: crosta continental e crosta oceânica. “A crosta oceânica está em 350 milhões de km² e a crosta continental, em 150 milhões de km². Na crosta continental, temos alguns restos de crosta oceânica, que os geólogos chamam de ofiolitos. Na crosta oceânica, tem alguns relitos de crosta continental, denominados terrenos”.

O porquê  de o novo continente estar em grande parte submerso é explicado pelo fato de que, quando os continentes se separam, a crosta continental afina e é coberta por  água. Ele salienta que já se sabia que a Austrália e as regiões sul e norte da Nova Zelândia estavam juntas há cerca de 200 milhões de anos – ou seja, faziam parte de um mesmo contexto.

“Há cerca de 235 milhões de anos, todas as massas continentais da face da Terra estavam juntas,  fenômeno a que se deu o nome de supercontinente Pangeia, o qual, por causa da temperatura do interior do planeta, foi se quebrando e se afastando. Então, há fragmentos pequenos,  como Madagáscar, e outros enormes, como é o caso da Austrália”, explica o especialista.

Nesta entrevista à Rádio USP, que você pode acompanhar na íntegra, ele também fala sobre os avanços tecnológicos que permitem a realização de descobertas desse tipo, principalmente o Paleomagnetismo e os chamados furos profundos. O professor Brito Neves garante que não ficará surpreso se, graças a essas técnicas, outros fragmentos continentais forem descobertos.

 

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